|
|
|
|
União Européia suspende importação de carne brasileira
da Folha Online
A União Européia informou nesta quarta-feira que
está suspensa, indefinidamente, a importação de carne bovina brasileira. A
decisão foi tomada após autoridades européias e brasileiras não conseguirem
chegar a um acordo sobre o número de fazendas que poderiam receber certificação
para vender o produto ao bloco --a lista deveria ter sido definida até 31 de
janeiro, ou seja, amanhã.
Apesar de a União Européia ter restringido o número de fazendas a 300 (3% das 10
mil registradas no passado), o Ministério da Agricultura brasileiro apresentou
uma lista com cerca de 2.600 propriedades. Assim, os europeus se recusaram a
publicar a lista no Diário Oficial do bloco --como estava previsto no cronograma
de entendimento sobre o comércio do produto realizado no ano passado--, e na
prática as importações ficam proibidas, já que nenhuma fazenda brasileira
possuirá autorização para exportar.
Para selecionar mais fazendas que as 300 permitidas, o Ministério da Agricultura
alega que não teria como escolher apenas algumas sendo que todas as listadas
estariam dentro das exigências européias.
Segundo fontes citadas pela agência Associated Press, a UE pretende enviar ao
Brasil uma nova missão veterinária, até dia 25 de fevereiro (e não mais em
março), para realizar uma nova vistoria nas fazendas produtoras de gado e
avaliar as condições sanitárias.
Em dezembro do ano passado, a UE anunciou medidas de restrição às importações de
carne brasileira que passariam a valer em 31 de janeiro deste ano. Segundo
anúncio feito em Bruxelas por meio de comunicado, a UE está preocupada com o
respeito das exigências sanitárias do mercado europeu. Agora, com o desacordo
sobre o número de fazendas, as medidas parciais contra o comércio de carne
passam a ser integrais.
O problema sobre questões sanitárias já havia sido detectado em 16 de outubro de
2007, quando a União Européia deu um prazo até o fim de 2007 para o Brasil se
adequar às exigências européias. Os problemas, que envolvem a certificação e o
rastreamento de origem do gado brasileiro, foram detectados novamente em
inspeções em novembro.
Sem a garantia de rastreabilidade da origem do gado (feito pelo sistema chamado
Sisbov), não pode ser assegurado que a carne enviada à Europa não provém de
áreas onde a venda para o bloco é proibida. O governo brasileiro e os produtores
do país negam as acusações e dizem que o Brasil vem implementando as
recomendações dos inspetores europeus que estiveram no país em março de 2007.
A polêmica sobre o embargo à carne brasileira ganhou mais força pelas
reclamações de produtores irlandeses, que sofrem com a concorrência do Brasil. A
UE, porém, disse que suas restrições não estão ligadas à reclamações de
concorrência, mas sim à intenção de garantir a qualidade do produto importado do
Brasil.
Outras proibições
A UE aplica desde 2005 um embargo à carne de três Estados brasileiros (São
Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul) devido a um foco de febre aftosa.
As exportações de carne bovina do Brasil somaram US$ 4,5 bilhões em 2007, 15% a
mais do que no ano anterior, segundo dados divulgados pela Abiec (Associação
Brasileira de Indústrias Exportadoras de Carne). Só para a UE, as vendas
chegaram a US$ 1,5 bilhão.
|
|
|
|