|
|
CMN altera cálculo da TR para garantir remuneração mínima para poupança
ANA PAULA RIBEIRO
O CMN (Conselho Monetário Nacional) alterou a fórmula de cálculo da TR (taxa
referencial), que é o índice utilizado para remunerar as cadernetas de poupança,
as contas do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) e alguns contratos de
financiamento imobiliário. Pela nova regra, que começa a valer hoje, essa taxa
não poderá ter variação negativa. O objetivo da medida é garantir que as
cadernetas de poupança, o investimento mais acessível do país, tenham
remuneração mínima de 0,5% ao mês.
Em janeiro de 2008, o rendimento está em 0,6%, um pouco acima da taxa de
dezembro de 2007, de 0,56%. No acumulado do ano passado, a modalidade registrou
sua menor rentabilidade dos últimos dez anos, segundo a consultoria Economática,
com retorno fechado de 7,77%.
No ano passado a poupança rendeu acima de 0,5% todos os meses. Assim, na
prática, a decisão de hoje é cautelar, à medida que impede uma queda forte do
rendimento no futuro, haja vista que nos últimos anos tem sido registrada uma
desaceleração dos ganhos.
Segundo o economista-chefe da Uptrend Consultoria Econômica, Jason Freitas
Vieira, a decisão teve caráter exclusivamente técnico, para evitar que "uma
correção monetária mais sensível afete os rendimentos da poupança".
"O Conselho Monetário Nacional aprovou aprimoramento na metodologia de cálculo
da TR. O aperfeiçoamento garante que a TR não apresente valores negativos, e
portanto, garante a remuneração mínima de 0,5% ao mês para os depósitos em
caderneta de poupança, conforme previsto em lei", diz a nota divulgada nesta
quinta-feira.
A última alteração no cálculo da TR foi feita em março do ano passado. O cálculo
leva em conta a TBF (Taxa Básica Financeira) --média das taxas dos CDBs
(Certificados de Depósitos Bancários) das 30 instituições com maior volume de
captação desses papéis-- e o chamado "parâmetro b", que funciona como uma
espécie de redutor e leva em conta a remuneração dos CDBs.
A medida de hoje determina que caso a TR fique negativa, ela será considerada
igual a zero. Dessa forma, a caderneta de poupança terá a remuneração mínima de
0,5%.
Segundo Alexandre Tombini, diretor de Normas do BC, isso foi feito porque
fevereiro terá menos dias úteis, o que influenciará no cálculo da TR e ela
poderá ficar negativa.
As mudanças na forma de cálculo da TR começaram em 2006, quando o CMN retirou a
Selic do cálculo do redutor para que ela não afetasse a TBF e, conseqüentemente,
a TR. Isso foi feito devido ao processo de redução das taxas de juros --que foi
iniciado em setembro de 2005 e durou até setembro do ano passado.
|
|