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Inflação já está consolidada em patamar mais elevado, diz FGV

 

CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio


O resultado do IGP-DI (Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna) de janeiro, que registrou alta de 0,99%, indica que a inflação medida pelo índice já está consolidada em um patamar mais elevado do que o verificado no início de 2007, ainda que haja influências sazonais. A avaliação é do economista Salomão Quadros, do Ibre (Instituto Brasileiro de Economia), da FGV (Fundação Getúlio Vargas).

Segundo ele, as seguidas pressões inflacionárias dos alimentos e das commodities, principalmente no segundo semestre de 2006, colocaram a inflação em outro estágio.

O resultado de janeiro do IGP-DI mostra desaceleração em relação a dezembro, quando o índice havia subido 1,47%. Para Quadros, há espaço para que a inflação caia ainda mais. Ele pondera, no entanto, que nos próximos meses o índice dificilmente voltará aos patamares constatados no princípio de 2007.

Em janeiro do ano passado, o IGP-DI teve alta de 0,43%, desacelerando para 0,23% no mês seguinte, e chegando a 0,14% em abril. Quadros explicou que a inflação acumulada nos últimos 12 meses, em alta de 8,49%, está bem acima do verificado há um ano, quando não passava de 3,49%.

"O que tem que ser observado é qual será o teto mínimo dessa inflação. Ela está caindo devagar. Daqui a dois meses, deve estar ainda mais baixa, mas ainda acima do ano passado", afirmou Quadros.

Atacado

O IPA (Índice de Preços por Atacado) de janeiro desacelerou para 1,08%, depois de alta de 1,9% no mês anterior. Vilões da inflação no ano passado, os preços dos alimentos aumentaram 1,6% em janeiro --após alta de 4,27% em dezembro.

O destaque ficou por conta do feijão, que depois de subir 27,22% em dezembro, desacelerou para 2,48% em janeiro. Também apresentaram menor inflação a carne bovina --4,45% em dezembro para 0,38% em janeiro-- e a carne suína --8,34% para queda de 1,01%.

O álcool combustível também apresentou menor inflação em janeiro. O álcool hidratado (o chamado álcool puro) teve alta de 0,89%, após subir 5,92% em dezembro. Já o álcool anidro (que é adicionado à gasolina) subiu 2,3% em janeiro, depois de registrar alta de 3,37% em dezembro.

Consumidor

A redução do preço dos alimentos no atacado, no entanto, ainda não chegou ao consumidor. Em janeiro, segundo o IPC (Índice de Preços ao Consumidor), houve alta de 2,1%, ante variação de 1,69% verificada em dezembro.

"O repasse do atacado para o varejo ainda não está generalizado. Esse quadro não deve durar muito tempo, há uma visível desaceleração", observou Salomão Quadros.

Os alimentos "in natura" pressionaram o IPC, com alta de 5,08% em janeiro, depois de crescerem 0,14% em dezembro. O reajuste dos preços das frutas passou de 1,31% em dezembro para 6,57% em janeiro e de hortaliças e legumes, de 0,32% para 3,34%.

O preço do tomate disparou em janeiro, registrando inflação de 40,67%. No mês anterior, o produto subiu 1,86%. O feijão carioquinha teve alta de 20,9% em janeiro, depois de subir 36,65% no mês anterior.

Educação

Os itens de educação também contribuíram para elevar o índice. As mensalidades dos cursos de Ensino Superior subiram, em média, 3,24% em janeiro, de acordo com o IGP-DI. Já os preços mensais para os cursos de Ensino Fundamental cresceram 5,65%. Ambos haviam ficado estáveis em dezembro.

Já o INCC (Índice Nacional de Custo da Construção), que desacelerou para 0,38% em janeiro, após alta de 0,59% no mês anterior, foi pressionado pelo item Materiais e Serviços. Os preços variaram 0,6%, ante inflação de 0,51% em dezembro. Os custos com mão-de-obra desaceleraram em janeiro, com alta de 0,13%, ante 0,67% no mês anterior.
 

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