|
|
Bolívia quer que Brasil reduza consumo de gás no inverno
Jeferson Ribeiro
Direto de Brasília
O vice-presidente da Bolívia, Álvaro Garcia Linera, admitiu na tarde dessa
quarta-feira em entrevista no Palácio do Itamaraty que o País terá dificuldades
para atender a demanda de gás do Brasil e da Argentina durante o inverno.
Segundo ele, os dois países têm um acréscimo na demanda entre junho e agosto e
será necessário um acordo político entre os presidentes da Argentina, Cristina
Kirchner, e do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, para definir como será feita a
entrega do gás boliviano.
Na prática, o Brasil teria que abrir mão voluntariamente de parte do contrato
que tem com a Bolívia para o fornecimento de 30 milhões de metros cúbicos de gás
por dia. O consumo médio histórico do Brasil fica entre 27 e 29 milhões de
metros cúbicos, mas durante o inverno cresce e pode chegar até 31 milhões por
causa do acionamento das usinas termoelétricas.
Na Argentina, o consumo também cresce no inverno dos tradicionais 3 milhões de
metros cúbicos dia para cerca de 4,5 milhões de metros cúbicos. Segundo Linera,
a produção boliviana não é suficiente para atender esse aumento de demanda no
inverno nos dois países.
Para resolver o problema, a Bolívia proporá ao Brasil uma redução espontânea do
consumo de gás já contratado no inverno. Mas esse acordo teria que ser político
e será negociado na próxima semana, numa reunião em Buenos Aires entre Lula,
Cristina e o presidente da Bolívia, Evo Morales.
"O volume médio histórico consumido pelo Brasil está absolutamente garantido, o
que está em discussão é o consumo superior a essa média histórica. Nós estamos
aumentando gradativamente a produção de gás, mas é provável que tenha um aumento
da demanda no inverno. O atendimento a essa nova demanda será discutido pelo
presidente Lula, pela presidente Cristina e pelo presidente Evo Morales",
salientou Linera.
Linera ressaltou que o problema para atender a demanda no inverno é só nesse
ano. Em 2009 e 2010, segundo ele, haverá maiores incrementos na produção e a
Bolívia teria folga de gás. "Em outubro desse ano teremos disponibilidade de
mais 3 milhões de metros cúbicos. No ano que vem, serão 6 a 7 milhões a mais",
salientou.
|
|