|
|
Receita: 400 empresas devem pagar R$ 1 bi em multas
Hermano Freitas
Direto de São Paulo
A Superintendência Regional da Receita Federal do Estado de São Paulo deu
início, na tarde desta terça-feira, a uma operação para fiscalizar cerca de 400
empresas suspeitas de sonegação de impostos ligados à contribuição
previdenciária.
Segundo a delegada da delegacia de fiscalização da Receita (Defis), Roseli Abe,
a expectativa de arrecadação é de R$ 1 bilhão, entre multas, contribuições
atrasadas e juros. A operação conta com 200 auditores fiscais, que começaram
hoje a visitar as empresas em situação irregular.
A identificação das fraudes foi feita a partir do cruzamento de dados das
antigas secretarias das áreas fazendária e previdenciária, unificadas em maio do
ano passado. Apenas na cidade de São Paulo, segundo Roseli, foram fiscalizadas
28 mil empresas, abrangendo uma massa salarial de R$ 41,5 bilhões registrados em
declarações de informações econômico-fiscais de pessoa jurídica (DIPJ) e guia de
recolhimento ao FGTS (Gefip).
"Buscamos as maiores discrepâncias no confronto entre a massa salarial e a
contribuição previdenciária na declaração do imposto de renda", disse a
delegada.
Entre as empresas com maior incidência de irregularidades estão as prestadoras
de serviços, com mais de 60% dos casos apurados. "As empresas que oferecem
mão-de-obra terceirizada são mais vulneráveis a fraudes", afirmou.
O setor tem divergência de 233% entre a DIPJ e a Gefip, tendo massa salarial de
R$ 343 milhões e Gefip de R$ 146 milhões.
Roseli também afirmou que a empresa que tiver recolhido o Imposto de Renda do
funcionário e não tiver repassando à Receita Federal fica sujeita à acusação do
crime de apropriação indébita, podendo ser investigada e punida pelo Ministério
Público Federal.
A delegada da Receita disse que a operação Gênese, batizada assim por ser a
primeira em nível estadual em que serão utilizados os bancos de dados das
antigas secretarias fazendária e previdenciária, só foi possível graças à
unificação das informações dos bancos de dados.
"Durante a investigação, podemos verificar como foi importante o cruzamento das
informações", completou.
A partir da visita do fiscal, a empresa perde o benefício da espontaneidade,
ficando sujeita ao pagamento da multa de ofício, que vai de 75% a 22% do valor
devido.
O tempo médio estimado de duração da operação é de 4 meses.
|
|