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PF diz que dados furtados da Petrobras eram de megacampo de gás


da Folha Online

A PF (Polícia Federal) informou nesta quarta-feira que os dados da Petrobras furtados de um contêiner vinham de uma sonda de perfuração responsável pela descoberta do megacampo de Júpiter, localizado na Bacia de Santos (SP). A reserva, anunciada no início deste ano, foi classificada como capaz de tornar o Brasil auto-suficiente em gás natural.

A sonda NS-21, conhecida também como Ocean Clipper, pertence à companhia americana Diamond, representada no Brasil pela filial Brasdrill. De acordo com a empresa, é uma das duas unidades contratadas pela Petrobras com capacidade para perfurar a camada pré-sal.

É na camada pré-sal, situada em águas ultraprofundas, a mais de 5 mil metros de profundidade, que estão as reservas de Tupi e Júpiter. A primeira é estimada pela Petrobras entre 5 bilhões e 8 bilhões de boe (barris de óleo equivalente). Já Júpiter tem grande potencial de gás natural.

A área onde estão as reservas de Júpiter fica a 290 quilômetros da costa do Estado do Rio de Janeiro e a 37 quilômetros a leste da área de Tupi.

A área do pré-sal estende-se do Espírito Santo a Santa Catarina, e engloba três bacias sedimentares (Espírito Santo, Campos e Santos), numa extensão aproximada de 800 quilômetros.

Na semana passada, a PF já havia confirmado que os dados vinham da Bacia de Santos, mas agora sabe-se exatamente sobre o que as informações se referiam.

O contêiner do qual as informações foram furtadas estava em um navio que partiu do porto de Santos (SP, na Bacia de Santos) no dia 18 de janeiro (dia em que a sonda encerrou pesquisas no bloco BM-S-24) em direção a Macaé, município situado no Norte Fluminense, onde a Petrobras tem sua base de operações na Bacia de Campos. O contêiner chegou 12 dias depois --foi quando seguranças perceberam que o cadeado tinha sido violado.

Além de avisar a polícia, a Petrobras informou ter realizado investigações internas. Ainda não se sabe, porém, em que trecho do trajeto teria ocorrido o furto dos quatro laptops e dos discos rígidos com os dados.

Depoimentos

A delegada Carla Dolinski, da PF em Macaé, ouviu nesta quarta-feira três funcionários do setor de segurança da Petrobras. Funcionários da Halliburton (dona do contêiner) e Transmagno (empresa que fez o transporte por terra). Até agora, 17 pessoas foram ouvidas.

Ontem, o Superintendente da Polícia Federal no Rio de Janeiro, delegado Valdinho Jacinto Caetano, descartou a hipótese de crime comum e criticou a segurança do sistema de transporte de dados importantes da estatal petrolífera. Na opinião de Caetano, ele é 'falho'.
 

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