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Reforma tributária prevê desoneração da folha
Jeferson Ribeiro
Direto de Brasília
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, apresentou na manhã desta quinta-feira ao
Conselho Político da Coalizão (composto por presidentes e líderes congressistas
de partidos da base aliada do governo) a proposta de reforma tributária que será
enviada ao Congresso Nacional na semana que vem. Entre as principais novidades
está a desoneração da folha de pagamento, a unificação das alíquotas estaduais
de ICMS, transformando o tributo em IVA Estadual (Imposto de Valor Agregado
Estadual) e a unificação da Cide, do PIS e da Cofins no IVA Federal.
A princípio a proposta já prevê e extinção da cobrança do salário educação que
onera a folha de pagamento em 2,5%. Contudo, até o final da semana, o governo
estuda outras formas de desoneração da folha. Uma das alternativas é reduzir a
cobrança do INSS sobre a folha em até 5 pontos percentuais. Contudo, isso ainda
depende de avaliações da Fazenda.
O coordenador da proposta no âmbito do Conselho Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social (CDES), Germano Rigotto, disse que a idéia será debatida até
amanhã. "O governo acha que pode apresentar mais novidades em relação à folha.
Estão em estudo algumas alternativas. O norte da proposta é esse", comentou.
A perda da contribuição para a educação será compensada pelo Tesouro Nacional
com a arrecadação do que o governo trata como "base ampliada de arrecadação",
composta pelo IVA Federal, o Imposto de Produtos Industrializados (IPI) e o
Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ).
Como algumas empresas não são tributadas com PIS e Cofins, o IVA terá pelo menos
três alíquotas diferentes. Essas alíquotas serão discutidas no Congresso
Nacional e pelo Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), que reúne os
secretários de Fazenda de todos os Estados.
O IVA federal será cobrado no destino da mercadoria. A mesma sistemática será
adotada no IVA Estadual. A Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL)
também deixará de existir. O governo passará a tributar o lucro das empresas
apenas pelo IRPJ.
Segundo Rigotto, o espírito da reforma é a simplificação tributária. Por isso,
muitos impostos serão extintos e cobrados nessa base ampliada.
A reforma assegura ainda mecanismos de incentivo à exportação por meio da
compensação tributária mais ágil. Segundo os deputados que participaram da
reunião do Conselho Político, a proposta prevê que os créditos tributários,
principalmente sobre IPI, sejam devolvidos às empresas quase que imediatamente.
Hoje, essa compensação ocorre em até 24 meses.
A entrada em vigor de todas as mudanças leva em conta períodos longos de
transição. Se aprovada a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) ainda esse ano,
o IVA Federal passaria a ser implementado em 2010. Serão necessários pelo menos
dois anos depois da aprovação congressual para implementar a reforma. O IVA
Estadual terá seis anos de transição.
CPMF
Logo após a apresentação da proposta de reforma tributária, alguns parlamentares
já demonstravam disposição de recriar a CPMF. "Nós vamos propor a recriação da
CPMF. Não necessariamente como ela era, mas queremos ressuscitar o modelo.
Claro, haveria redução de outros impostos para compensar isso", disse o líder do
PR, deputado Luciano Castro (PR-RR).
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