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Empresas admitem risco de esgotamento da capacidade de produção, aponta FGV


DEISE DE OLIVEIRA
da Folha Online


O risco de a indústria esgotar a capacidade de produção em até um ano existe para um quarto das empresas, caso a demanda se mantenha em patamares elevados, segundo levantamento da (FGV) Fundação Getulio Vargas.

Em 2005, quando o mesmo questionamento foi feito, 29% cogitavam a hipótese, ante 31% na apuração feita em janeiro e fevereiro deste ano. Da vez anterior, o segmento vinha de uma forte expansão da demanda, em 2004, e os investimentos em capacidade de produção não acompanharam.

"O resultado foi mais equilibrado entre os setores em 2008 em relação a 2005. Mas não se pode ignorar o risco de esgotamento da capacidade de produção caso o ritmo da demanda vigente na virada do ano seja mantido. Tem de ficar de olho aberto", disse Aloísio Campelo Júnior, coordenador do Núcleo de Pesquisas e Análises Econômicas do Ibre (Instituto Brasileiro de Economia).

O professor relativiza o resultado com o argumento de que esse tipo de questionamento só foi apurado duas vezes pela FGV e que a pergunta foi "aberta", sem saber se os executivos que responderam à questão consideraram possíveis investimentos e iniciativas preventivas que suas organizações planejam ou estão realizando.

O mesmo levantamento, quanto à previsão das empresas em investimento na capacidade de produção, indica que as indústrias esperam elevar em 11%, em média, a sua capacidade instalada este ano --ou seja, a capacidade de produção. O percentual de crescimento é o maior nos últimos cinco anos.

Segundo Campelo, há variáveis positivas, no início deste ano, que também podem amenizar as chances de esgotamento da produção: a estabilidade do nível da capacidade instalada (em 84,3% em janeiro e 84,7% em fevereiro, ante o patamar de 86% em dezembro do ano passado) e a intenção das empresas em investir mais. Ele também pondera sobre os reflexos da desaceleração da economia externa na produção das empresas brasileiras.

"Os componentes externos devem influenciar, mas, no momento, o efeito é pontual, para empresas que exportam para os Estados Unidos e países que estão em desaceleração", diz Campelo.

Ele avalia que os desdobramentos mais recentes da crise de crédito de alto risco (subprime) nos Estados Unidos e a última ata do Copom (Comitê de Política Monetária), em que o BC (Banco Central) sinalizou com a possibilidade de elevar a taxa básica de juros, a Selic, não teriam alterado a percepção dos empresários sobre as chances de a capacidade instalada se esgotar.

"Há comportamento de incerteza, que afeta as expectativas. (...) Avaliações das empresas dão a entender que a desaceleração da economia dos EUA tenha impacto na economia brasileira, nas áreas que exportam. Mas não afeta o PIB [Produto Interno Bruto] brasileiro em magnitude", explica.

 

 

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