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Medidas para conter dólar não afastam investidor, diz Tesouro
ANA PAULA RIBEIRO
As medidas anunciadas pelo Ministério da Fazenda para conter a desvalorização do
dólar não devem afetar o apetite dos investidores estrangeiros por títulos
públicos brasileiros. Para Guilherme Pedras, coordenador-geral de Operações da
Dívida, esses investidores buscam aplicações de longo prazo e o aumento de
imposto anunciado pelo governo só afetará os que buscam retorno no curto prazo.
"Não temos essa expectativa [de menor procura]. O investidor estrangeiro é
tipicamente do longo prazo. O IOF [Imposto sobre Operações Financeiras] é
financeiramente custoso só no curto prazo. A alíquota de 1,5% é diluído ao longo
dos anos", explicou.
No último dia 13, o governo anunciou três medidas para conter a desvalorização
do dólar : IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) de 1,5% para os
investidores estrangeiros que aplicarem em renda fixa (portfólio) e títulos
públicos; fim do IOF sobre as exportações e fim da cobertura cambial, que é a
exigência dos exportadores internalizarem (trazer para o país) os recursos das
vendas ao exterior.
Para Pedras, "felizmente a medida não surtiu efeito ruim sobre a demanda".
O Tesouro Nacional não possui números atualizados sobre a participação dos
estrangeiros na dívida pública interna. Em dezembro, era de 4,71% do estoque e
em janeiro passou para 4,96%. Esse número cresce gradualmente desde fevereiro de
2006, quando foi reduzido a zero a alíquota do Imposto de Renda incidente sobre
o lucro dessas operações para investidores estrangeiros.
Sobre as turbulências dos mercados financeiros, Pedras avalia que elas não têm
afetado a demanda por títulos públicos.
"Não temos identificado redução de demanda. Claro que em dia mais volátil o
leilão é afetado, mas nós mantemos as bandas fixadas no Plano Anual de
Financiamento", afirmou.
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