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BNDES vai priorizar financiamento de projetos de geração de energia nova
CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio
O presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social),
Luciano Coutinho, disse nesta quinta-feira que o banco não tinha intenção de
financiar o vencedor da Cesp (Companhia Energética de São Paulo) caso o leilão
tivesse sido bem-sucedido. Segundo Coutinho, a prioridade do BNDES é financiar
projetos de geração de energia nova, e não a aquisição de ativos já existentes.
"Numa situação de escassez de funding, a grande prioridade é criação de energia
nova, e não financiar a aquisição de ativos que já existem. Temos que ajudar a
criar energia nova. Agora, operações patrimoniais são possíveis em condições de
mercado por outros mecanismos de financiamento de mercado, com instrumentos de
renda variável", afirmou.
Coutinho confirmou que foi procurado pelo governador de São Paulo, José Serra,
mas ressaltou que a solicitação não foi feita a tempo para que se publicassem
possíveis condições para o leilão. Acrescentou que o BNDES ainda poderia
examinar a possibilidade de financiar o vencedor do leilão, caso o certame
tivesse sido realizado com sucesso.
"Se o leilão tivesse sido bem-sucedido, se o vencedor tivesse um programa de
investimentos, que contemplasse investimentos em criação [de energia],
poderíamos examinar o assunto. Mas não houve nenhum envolvimento no processo
prévio", explicou Coutinho.
O presidente de Furnas Centrais Elétricas, Luiz Paulo Conde, afirmou que a
estatal subsidiária da Eletrobrás pensou em participar do leilão. A idéia,
segundo ele, foi vetada pelo ministro Edison Lobão (Minas e Energia).
"O ministro determinou que só se invista na geração de energia nova", declarou
Conde.
As regras do leilão da Cesp, no entanto, não permitiam a participação de
empresas estatais.
Coutinho e Conde assinaram nesta quinta-feira contrato de financiamento para a
construção da usina hidrelétrica de Simplício (334 MW), que será erguida no rio
Paraíba do Sul, na divisa do Rio de Janeiro e de Minas Gerais. O investimento
total no projeto é de R$ 1,6 bilhão, dos quais R$ 1 bilhão será financiado pelo
BNDES.
Vencedora do leilão da usina hidrelétrica de Santo Antônio (3.150 MW), do
Complexo do rio Madeira, Furnas espera obter o financiamento para a obra até o
final de agosto. O pedido já está enquadrado no BNDES. Para que as obras sejam
iniciadas em setembro, Luiz Paulo Conde disse esperar que a concessão da LI
(Licença de Instalação) seja dada até o próxima 31.
Conde explicou ainda que a tendência é que o consórcio vencedor de Santo
Antônio, formado por Furnas, Cemig, as construtoras Norberto Odebrecht e Andrade
Gutierrez, e os bancos Santander e Banif, mantenha a parceria para o leilão da
hidrelétrica de Jirau (3.300 MW), marcado para o dia 9 de maio. Jirau também
integra o Complexo do rio Madeira.
"Os estudos foram feitos em conjunto,e a tendência é que o consórcio seja
mantido", observou.
Furnas pretende ainda captar parceiros para a construção de seis PCHs (Pequenas
Centrais Hidrelétricas) no Rio de Janeiro. A capacidade instalada total desses
empreendimentos somará 80 MW. Conde explicou que a estatal vai abrir
concorrência no mês de maio para selecionar possíveis interessados.
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