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Tesouro dos EUA propõe megaplano de reestruturação do setor financeiro
com Associated Press
O governo dos Estados Unidos anunciou nesta segunda-feira um megaplano de
reestruturação das regras para o setor financeiro. A proposta mudará como o
governo americano controla centenas de negócios, desde os maiores bancos do país
e bancos de investimentos até o sistema de seguros e hipotecas. Entre as
medidas, a mais importante aumenta os poderes de supervisão do Fed (Federal
Reserve, o Banco Central dos EUA).
O secretário do Tesouro dos EUA, Henry Paulson, apresentou o plano com 218
páginas em discurso nesta manhã. Ele afirmou que um sistema financeiro forte é
importante não apenas para os negócios em Wall Street, mas também para os
trabalhadores americanos.
"A estrutura de nossa regulamentação atual não está pensada para enfrentar o
sistema financeiro moderno com seus diversos atores, sua inovação, a
complexidade de seus instrumentos financeiros, sua integração mundial", afirmou
Paulson.
J. Scott Applewhite/AP
Henry Paulson anunciou de plano para regular sistema financeiro dos EUA
Segundo ele, o projeto de reforma visa também a eliminar as redundâncias do
sistema e a preencher suas faltas, com medidas escalonadas no curto, médio e
longo prazo.
A regulamentação atual é, na verdade, um mistura de textos realizada durante
diversas crises atravessadas pelos Estados Unidos. A parte mais importante da
legislação foi instaurada no dia seguinte à Grande Depressão dos anos 30, mas,
como ressaltou Paulson, ela não está mais adaptada a um sistema financeiro
extremamente "complexo, globalizado e heterogêneo".
O plano vai designar o Fed como "regulador de estabilidade de mercado" e dar
poder ao órgão de examinar os livros com todos os aspectos financeiros de
qualquer instituição, não apenas bancos, de quebrar sigilos e tomar ações
corretivas quando necessário.
Segundo o mencionado na página 22 do documento, obtido pela Associated Press, o
plano também vai fundir a Comissão Negociadora de Commodities Futuras e a
Agência de Supervisão de Instituições de Poupança (Office of Thrift Supervision).
O projeto de Paulson, cuja administração está na ativa há um ano, pede a criação
de três agências reguladoras.
O projeto prevê criar um "regulador financeiro preventivo" para as operações
diárias dos bancos americanos e empresas de crédito, em vez de cinco agências
que regulam a área atualmente. Prevê ainda montar uma agência de vigilância de
empréstimos imobiliários.
A terceira agência vai regular a conduta do mercado e dar proteção ao
consumidor, substituindo o que faz hoje a Securities and Exchange Commission (a
CVM norte-americana).
A proposta de hoje faz uma revisão completa na regulação do mercado financeiro
atual, a mais extensa já feita desde a 1929, quando ocorreu a Grande Depressão
da economia dos EUA.
O anúncio ocorre no momento em que o mercado global está contaminado pela maior
crise de crédito nos EUA em 20 anos, desencadeada por uma outra crise, a dos
empréstimos imobiliários "subprime", aqueles feitos a pessoas com histórico de
inadimplência.
O temor de calotes generalizados fez o dinheiro em circulação retrair no país,
desacelerando a maior economia do planeta. Isso fez crescer o medo que o EUA
caiam em recessão, já que 70% do PIB americano é movido pelo consumo.
Nesse contexto, bancos têm anunciado perdas bilionários e prejuízos, chegando a
ser vendidos por preços baixíssimos a concorrentes.
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