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Empresas farmacêuticas rebatem aumento abusivo nos preços de remédios
da Folha Online
A Febrafarma (Federação Brasileira da Indústria Farmacêutica) rebateu nesta
sexta-feira a pesquisa realizada pelo Idum (Instituto Brasileiro de Defesa dos
Usuários de Medicamentos) que apontou aumento de preços de remédios acima do
permitido pelo governo. Segundo a Febrafarma, o instituto comparou preços de
remédios antes dos aumentos serem repassado ao consumidor, no ano passado, o que
gerou distorção no índice de reajuste.
Todo ano a Cmed (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos) aprova três
faixas de aumento para os remédios controlados, definidas com base na inflação
do período e conforme o nível de competição no mercado com os genéricos nas
vendas.
Em 2007, o reajuste foi liberado para ocorrer em abril --com faixas de 5,51%,
4,57% e 3,64%. Até o novo reajuste, que passa a valer a partir da próxima
semana, nenhum medicamento pode ter o preço elevado.
Para realizar sua pesquisa, o Idum explicou ter comparado valores publicados em
revistas oficiais da indústria farmacêutica no mês de abril de 2007 e em março
de 2008. Ao fazer as contas, a entidade encontrou reajustes superiores ao
permitido em 208 itens.
A Febrafarma, porém, rebate o método e explica que os dados não condizem com a
realidade, uma vez que a maioria dos reajustes só foi repassado aos medicamentos
a partir de maio daquele ano (números marcados em vermelho; confira aqui).
Assim, a comparação de preços entre os meses de abril do ano passado e março
deste ano ficou distorcida. A federação também aponta erros de digitação das
farmacêuticas ou das publicações nos preços, além de itens cujos preços foram
liberados pelo governo.
"O que realmente se deu foi o adiamento na aplicação do reajuste por parte de
muitos laboratórios, o que resultou na publicação com atraso de meses dos preços
reajustados nas tabelas de PMC (Preços Máximos ao Consumidor) divulgadas pelas
revistas especializadas", explica a Febrafarma.
De acordo com a entidade, entre os exemplos está o medicamento Noregyna, que era
vendido por R$ 18,26 em março de 2007, baixou para R$ 17,74 em abril (desconto
de 3,80%) e manteve o preço com desconto até novembro de 2007. Em dezembro,
voltou ao preço de março com o reajuste autorizado de 1%, passando então a
custar R$ 18,44.
Segundo a Febrafarma, "a decisão dos fabricantes desses medicamentos beneficiou
os consumidores, permitindo a compra de produtos por preços menores durante
muitos meses após a entrada em vigor. E não configura fraude contra os
consumidores, como quer insinuar o Idum".
No caso dos produtos do laboratório Medley, a empresa explica que a revista "ABCFarma"
encartou em sua edição de abril de 2007 uma errata corrigindo a lista dos
produtos da empresa, cujos valores tinham sido publicados com erros,
considerando valores desatualizados.
Outra farmacêutica, a Wyeth, esclarece que o medicamento Artane "não pertence
mais à empresa desde maio de 2006, quando sua licença foi transferida à Apsen",
mas que, independente disso, o preço está dentro do limite estabelecido.
Em entrevista ontem à Folha Online, o secretário-executivo da Cmed (Câmara de
Regulação do Mercado de Medicamentos), Luiz Milton Veloso, afirmou que da
pesquisa do Idum feita no ano passado, com mais de 400 medicamentos, apenas em
seis itens havia indícios de irregularidade, mas que nenhum deles se confirmou.
Os preços dos medicamentos monitorados pela Cmed estão disponíveis no site da
Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária)
Livres
A pesquisa do Idum também analisou os preços de medicamentos livres, cujos
preços não são controlados pelo governo. Nesta categoria, foram constatados
aumentos acima da inflação.
O Merthiolate (Laboratório DM) foi reajustado em 24,92%. O Melhoral (Laboratório
DM) em 24,67%, e o Benegripp (Laboratório DM), em 10,25%. O que mais aumentou
foi o Resfriol do Laboratório Vitapan, que registrou aumento de 78,85%.
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