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Pão francês tem a maior alta desde 2002
CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio
O preço do pão francês registrou, em março, a maior alta desde dezembro de 2002,
segundo a inflação medida pelo IGP-DI, divulgado nesta segunda-feira pela FGV
(Fundação Getúlio Vargas). A alta verificada pela pesquisa é de 2,26%, abaixo
apenas dos 2,69% constatados no final de 2002.

De acordo com o economista da FGV, Salomão Quadros, a significativa variação do
preço do pão está ligada diretamente à alta do trigo no início deste ano. Nos
três primeiros meses de 2008, o produto acumula aumento de 23,46%, no atacado.
Nos últimos 12 meses, essa alta chega a 45,69%.
"Não é muito comum ter uma alta desse tipo no preço do pão francês, em um mês. O
aumento verificado em 2002 ocorreu na esteira do auge da desvalorização cambial.
Foi um outro tipo de situação", afirmou.
A inflação de 9,18% nos últimos 12 meses medida pelo IGP-DI de março é a maior
desde os 10,22% constatados em abril de 2005.
Pressão no atacado
Para os próximos meses, o economista da FGV evita fazer uma previsão mais
detalhada, mas destaca que os preços de alguns alimentos, metais e do minério de
ferro tendem a permanecer pressionados no atacado.
Para Quadros, a situação dos alimentos ainda é indefinida, principalmente em
relação aos agrícolas. Na opinião do economista, eles serão decisivos para a
definição da inflação este ano, já que os outros itens são mais previsíveis.
Nem mesmo o movimento das commodities internacionais tem um quadro mais
definido, acrescentou. Ele disse ainda que alimentos, fertilizantes e metais
exerceram as principais pressões sobre o índice de março.
Preço do tomate dispara
A principal alteração foi verificada no preço do tomate. Da variação constatada
de fevereiro para março no IGP-DI -- de 0,38% para 0,70% -- o tomate contribuiu
com 0,21 ponto percentual. No atacado, o tomate teve alta de 53,22%, depois de
queda de 18,73% em fevereiro. No varejo, a variação positiva foi de 23,53% em
março, após redução de 11,33% no mês anterior.
"O produto que mais pressionou o índice de março foi o tomate, devido a questões
climáticas que afetaram a oferta. Foi uma questão pontual", afirmou Quadros.
Taxa de juros
Segundo Quadros, ainda não é o momento para o Banco Central aumentar a taxa
Selic de juros, para conter a subida da inflação. Ele destacou que, se o cenário
econômico levasse em conta apenas a inflação, tal medida seria justificada.
"Realmente, é uma situação delicada para onde a inflação está indo e o que os
fatores de demanda podem provocar. Mas tem outro fator que está em curso que é a
expansão dos investimentos", disse.
Quadros lembrou que a produção e a importação de bens de capital vem crescendo,
e que isso é um bom indicador para a ampliação do potencial produtivo da
economia. Essa conjunção, segundo o economista, pode tirar a economia da
"armadilha de crescer um pouco e rapidamente esbarrar na capacidade".
"Talvez a alta dos juros seja inevitável, mas é importante que ela seja
extremamente bem justificada, para ter a certeza que já chegou ao limite",
completou.
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