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Investidor estrangeiro aumenta participação na dívida pública

 




A participação de investidores estrangeiros na dívida pública federal cresceu de 4,96% em janeiro para 5,68% em fevereiro, segundo dados do Tesouro Nacional. O governo ainda não possui números atualizados para o mês de março.

Para Guilherme Pedras, coordenador-geral de Operações da Dívida, isso mostra que a maioria dos investidores estrangeiros que investem em títulos brasileiros são aplicadores de longo prazo, que não serão afastados pela cobrança do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) instituída pelo Ministério da Fazenda em março (uma das medidas do pacote para conter a queda do dólar).

"Os investidores estrangeiros na dívida pública têm um perfil de longo prazo. Como o custo do IOF é diluído ao longo do tempo, a gente não percebeu essa mudança", disse Pedras.

Ele afirmou que não é possível associar o aumento do interesse dos estrangeiros à expectativa de alta dos juros no Brasil com base nos números do Tesouro. No início do ano, o mercado já esperava uma alta da Selic, o que só aconteceu na semana passada, quando o Banco Central elevou a taxa básica de 11,25% para 11,75% ao ano.

Em março, aliás, houve uma redução na participação dos títulos atrelados à Selic na dívida, que caiu de 34,42% para 33,35%. O movimento, segundo Pedras, foi provocado pelo vencimento de títulos no mês passado.

Alta do dólar

A alta do dólar no mês de março provocou um aumento de 2,94% na dívida pública federal externa. A dívida externa (R$ 106 bilhões ou US$ 60,7 bilhões) representa cerca de 8% da dívida total (R$ 1,356 trilhão).

A dívida pública federal interna teve uma alta de 0,63% no mês de março na comparação com fevereiro. O estoque total da dívida chegou ao final do mês passado totalizando R$ 1,250 trilhão. Houve aumento de R$ 12,6 bilhões devido à apropriação de juros, compensada em parte pelo resgate líquido de R$ 4,7 bilhões.

Já a dívida pública total, que inclui também a externa, passou de R$ 1,345 trilhão em fevereiro para R$ 1,356 trilhão em março, uma alta de 0,81%.

O PAF (Plano Anual de Financiamento) prevê que a dívida pública federal irá variar neste ano entre R$ 1,480 trilhão e R$ 1,540 trilhão.

Em março, houve emissões de R$ 32,3 bilhões e resgates de R$ 39,5 bilhões, o que gerou um resultado líquido de R$ 7,2 bilhões em resgates.

O prazo médio da dívida total aumentou de 39,96 meses para 40,26 meses. No caso da dívida interna, subiu de 37,51% para 37,80%.

A parcela de títulos prefixados aumentou de 35,69% para 36,26%, devido à emissão líquida de R$ 5,8 bilhões. A participação dos títulos indexados à taxa Selic caiu de 34,42% para 33,35%. Já os títulos ligados à índices de inflação tiveram seu peso aumentado de 26,93% para 27,39%.


 



 

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