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Inflação atual já justifica novo ajuste nos juros, avalia FGV

 

CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio


O quadro inflacionário atual, verificado pelo IGP-DI (Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna) de abril, justifica a elevação dos juros por parte do BC (Banco Central), disse o responsável pela pesquisa, o economista da FGV (Fundação Getúlio Vargas), Salomão Quadros. Na avaliação dele, o fato de haver uma pressão mais generalizada, e não somente concentrada nos alimentos, torna necessário "algum movimento na política monetária".

"As pressões inflacionárias estão um pouco mais fortes do que há um ou dois meses se poderia imaginar. E isso significa que talvez tenha que se elevar [os juros] mais ou por mais tempo. Mas não acho que esteja se perdendo o controle. O IGP mostra que há outros componentes na inflação, ela não é só de alimentos. Vai ter que se fazer algum movimento na política monetária para que esse primeiro momento de generalização não ganhe mais corpo, esse é o papel que se espera dela", afirmou.

Narendra Shrestha /Efe

No atacado, alta do arroz chegou a 27,78% em abril. Reajuste começa a chegar no varejo
A inflação medida pelo IGP-DI em abril foi de 1,12%. É o maior índice para um mês de abril desde 2004, quando a alta chegara a 1,15%. Salomão Quadros explicou que os preços no atacado, que tiveram alta de 1,3%, foram os grandes responsáveis pelo resultado. Em março, o IPA (Índice de Preços por Atacado) registrara alta de 0,8%.

A principal pressão, no atacado, veio do arroz, que subiu 27,78% em abril, depois de ter caído 1,3% no mês anterior. Quadros comentou que a expectativa é que esse repasse chegue, em breve, ao consumidor. Em abril, o arroz branco teve alta de 1,18% nos supermercados.

"O arroz subiu 27% no atacado, e no varejo esse aumento praticamente ainda não repercutiu. Então, a bola da vez agora é o arroz", observou Quadros, lembrando que a crise de oferta de arroz ainda não havia aparecido em março.

Outros alimentos também poderão subir para o consumidor, como a carne bovina e o leite. No caso da carne, verificou-se em abril alta de 1,72% nos frigoríficos, depois de redução de 1,19% em março. A alta não é significativa, mas nota-se um quadro diferente para essa época do ano, quando aumenta o número de abates.

Flávio Florido/Folha Imagem

Após disparada em 2007, leite volta a puxar inflação de alimentos em 2008
"Tudo indicava um quadro de calmaria, mas há perturbação da oferta. Mesmo com problemas de venda da carne para a UE [União Européia], o Brasil está exportando para outros lugares, além da própria pressão de demanda interna", lembrou Quadros.

O quadro é semelhante em relação aos laticínios. O leite in natura voltou a subir e teve aumento de 5,93% em abril, depois de reajuste de 3,69% no mês anterior. A alta está relacionada ao período de entressafra. A farinha de trigo continua subindo e registrou alta de 14,28% em abril, após aumentar 6,53% em março. No caso deste produto, a influência já aparece sobre o preço do pão francês, que subiu 8,59% em março, junto ao consumidor.

"Tem uma série de produtos de várias matérias-primas diferentes que estão pressionados e, provavelmente, a repercussão no varejo ainda não se fez sentir por completo", afirmou Quadros.

Diante desse cenário, o economista destacou que a pressão dos alimentos sobre a inflação em 2008 já começa a deixar de ser dúvida. Quadros disse que o problema é mundial, e que a solução vai demorar a ser encontrada.

"Imaginava-se que a inflação dos alimentos ficaria praticamente confinada a 2007, mas nos primeiros meses do ano, a gente está vendo que ela prossegue com igual intensidade. Tem que esperar o 2º semestre. Pode ser que a safra de países do hemisfério Norte surpreendam, e a pressão diminua".




 

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