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Inflação da população de baixa renda é recorde nos últimos 12 meses


CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio

O IPC-C1, índice que mede a inflação sobre a população de baixa renda, acumula alta de 6,84% nos últimos 12 meses. Trata-se da maior variação desde que o IPC-C1 foi criado, em 2004. A perspectiva para maio é de novo recorde, já que dificilmente o índice ficará abaixo dos 0,07% de alta, verificada em maio do ano passado.

Economista da FGV (Fundação Getúlio Vargas), André Braz avalia que essa tendência é reforçada pelo cenário de alta dos alimentos constatado no início de maio. Para os meses posteriores, ele disse que a pressão dos alimentos poderá diminuir.

"No curto prazo, é possível que continue essa aceleração no acumulado dos 12 meses. Estamos próximos da safra no hemisfério norte, e os alimentos devem acelerar menos daí para frente", afirmou.

A dependência em relação a outros mercados é explicada pela alta das chamadas commodities, como o trigo, a soja e o milho, que são negociadas mediante cotações no mercado internacional. Com o aumento da produção em outros países, a tendência é que os preços se acomodem. Os derivados desses produtos, como o pão e o arroz, vêm exercendo forte pressão sobre os índices inflacionários.

A elevação das commodities vem dando um perfil diferente à inflação dos alimentos. Os itens processados têm um "peso mais rígido", como definiu Braz. No ano passado, alta dos alimentos foi influenciada principalmente pelos produtos in natura, como verduras e legumes.

Para Braz, a alta dos alimentos processados preocupa ainda mais, já que, fatalmente, alguma parte desse aumento ficará incorporada mesmo que os preços caiam futuramente. No caso dos produtos in natura, a variação é comum, pelas sazonalidade climática da produção, e as quedas geralmente compensam os períodos de elevação.

"Os produtos 'in natura' sempre influenciam a volatilidade dos alimentos. Desta vez, mesmo sem eles, a trajetória é de aceleração", observou Braz.

André Braz chama atenção ainda sobre a possibilidade de o recente reajuste do óleo diesel pressionar o IPC-C1 nos próximos meses. Apesar de o combustível ter peso irrelevante no índice, as tarifas de ônibus urbanos têm o maior peso individual (10%), podendo carregar impacto indireto da alta do óleo diesel.
 

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