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Países da UE criticam medidas comunitárias de combate à crise alimentícia
da Efe, em Maribor (Eslovênia)
Os países da UE (União Européia) consideram que a CE (Comissão Européia, braço
executivo da UE) oferece propostas pouco eficazes ou insuficientes para atenuar
a atual crise de preços e de escassez de alimentos, seja no âmbito da PAC
(Política Agrícola Comum) ou ao falar de medidas em favor das regiões mais
pobres do mundo.
França, Holanda, Áustria e Portugal questionaram hoje, nesse sentido, o projeto
da CE sobre a reforma da PAC e a idéia da comissária européia de Agricultura,
Mariann Fischer Boel, de destinar o dinheiro economizado nessa iniciativa para
apoiar produtores de países com mais carências alimentícias.
Os ministros da Agricultura dos países que compõem da UE realizam na Eslovênia
sua reunião informal semestral, na qual começam a posicionar-se sobre a proposta
para a revisão da PAC --aprovada recentemente por Bruxelas e que deve ser
oficializada no segundo semestre.
A reforma da PAC será marcada pela situação mundial de escassez de
matérias-primas agrícolas e o conseqüente encarecimento dos alimentos.
A PAC é a política que mais absorve o orçamento comunitário. O projeto da CE
para revisar a PAC inclui medidas para potencializar a oferta de alimentos.
Nesse contexto, a comissária européia da Agricultura disse trabalhar com a
hipótese de que as verbas economizadas no orçamento da PAC em 2008 e 2009 sejam
destinadas a microcréditos, para que os produtores dos países pobres possam, por
exemplo, comprar adubos ou sementes.
Esse apoio poderia ser canalizado por meio da FAO (Organização das Nações Unidas
para a Agricultura e a Alimentação), e é previsível que Bruxelas prepare uma
proposta, nessa linha, para a próxima cúpula de líderes da UE, a ser realizada
em junho.
O ministro da Agricultura da França, Michel Barnier, disse que esta idéia é
"conjuntural". Acrescentou que, em vez da PAC, é mais útil dar ajuda aos países
mais pobres por meio de um "fundo europeu para o desenvolvimento".
O português Jaime Silva declarou, por sua vez, que os países do mundo em
desenvolvimento necessitam de "alimentos", e "não de um cheque que no longo
prazo não servirá".
Quanto à reforma, Silva apontou que Bruxelas deveria ter "ido mais longe", pois
as idéias que vende como soluções para a alta dos preços "tinham sido previstas
há meses", antes do aumento da crise atual.
A holandesa Gerda Verburg indicou que a proposta de revisão da PAC é somente um
"pequeno passo", embora positivo, e que poderia seguir adiante.
A Holanda defende o aumento das contribuições nacionais e a retomada de medidas
"mais estruturais" para apoiar os países mais pobres, pois na UE "se ignorou a
ajuda ao desenvolvimento nos últimos anos", ainda de acordo com a ministra.
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