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Dólar sobe, mas termina o semestre com baixa de 10,1%


O dólar terminou o último dia do 1º semestre com variação positiva de 0,06%, a R$ 1,597. A moeda acumulou queda de 1,9% em junho e de 10,1% em todo o semestre.

A queda global do dólar e o juro alto do Brasil devem manter a moeda americana em queda no próximo mês diante do real, disseram agentes de mercado nesta segunda-feira, ratificando a tendência do câmbio após a quebra do piso de R$ 1,6.

Em um horizonte mais longo, porém, fatores estruturais como a deterioração das contas externas do país e a possível alta do juro nos Estados Unidos podem ajudar a recolocar a moeda em um patamar mais elevado.

"Ele realmente pode ir para 1,58 (real) e deve se sustentar abaixo de 1,60 (real) no curto prazo", disse Roberto Padovani, estrategista de investimentos sênior para a América Latina do banco WestLB do Brasil. "É uma combinação de dólar ainda fraco nos Estados Unidos com o diferencial de juros do Brasil."

Nas últimas duas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom), o Banco Central elevou a taxa básica de juro para esfriar a alta da inflação.

Mario Battistel, gerente da Fair Corretora, explicou que, aumentando o juro, "fica mais rentável trazer dinheiro para renda fixa". A taxa Selic está atualmente em 12,25% ao ano.

O combustível para a valorização do real, no entanto, deve durar algumas semanas. Sidnei Nehme, diretor-executivo da NGO Corretora, é um dos que aposta que o patamar de R$ 1,60 seja um "piso de sustentação para a moeda americana".

Padovani dá algumas justificativas para a sustentação do dólar no longo prazo. "Você deve ter um fortalecimento internacional do dólar", estimulado pelo aumento esperado para o segundo semestre no juro dos Estados Unidos, "e a conta corrente (do Brasil) começa a perder fôlego".

O BC prevê um déficit de US$ 21 bilhões nas transações correntes do país em 2008, após saldo positivo de US$ 1,46 bilhão em 2007. Mas a conta negativa tem sido compensada até aqui pelo investimento estrangeiro direto, que já soma mais de US$ 13 bilhões no ano.

Nesta sessão, a moeda americana acompanhou o movimento no exterior e a disputa em torno dos derivativos cambiais em vencimento. O BC fez um leilão de compra de dólares, com taxa de corte em R$ 1,5940, e aceitou quatro propostas, segundo um operador.
 

 

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