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Carga de energia cresce abaixo do PIB no primeiro semestre, aponta ONS
CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio
Diferentemente de anos anteriores, o crescimento da carga de energia gerada no
sistema elétrico nacional ficou bem abaixo da expansão da economia brasileira no
primeiro semestre. De acordo com o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico),
a carga gerada no sistema aumentou 2,7% na comparação com o período de janeiro a
junho de 2007. No mesmo tempo, o PIB (Produto Interno Bruto) teve incremento de
6,1%.
A carga de energia é uma prévia do consumo de energia. O ONS mede o valor total
que passa no sistema, mas não contabiliza as eventuais perdas de energia.
No primeiro semestre de 2007, a carga de energia gerada no sistema elétrico
cresceu 5% frente a igual período no ano anterior. Já o PIB havia anotado
expansão de 5,5% na mesma comparação. Em 2006, na mesma relação, foi registrada
expansão de 3,8% da carga de energia, e de 3,7% da economia.
"Apesar da forte expansão do PIB, não foram observados indicadores de evolução
da carga de energia elétrica do SIN [Sistema Interligado Nacional], na mesma
intensidade", aponta informe do ONS divulgado nesta sexta-feira.
Boa parte da redução do ritmo de crescimento da carga de energia analisada
deve-se ao aumento da produção autônoma, que não circula no sistema interligado.
Outro fator apontado pelo ONS é o efeito climático La Ninã, que provocou
temperaturas mais baixas de janeiro a junho.
Além disso, o órgão responsável pela operação do sistema elétrico informou que o
alto preço da energia elétrica no mercado de curto prazo inibiu a produção
adicional de consumidores que necessitam complementos na demanda. O ONS
acrescentou que a greve dos auditores da Receita Federal, entre março e maio,
teve impacto no consumo industrial de energia de alguns setores, já que o fluxo
de matérias-primas importadas foi afetado.
Em relação ao consumo residencial, o ONS indica que, além de maior
conscientização da população, a produção de eletroletrônicos que consomem com
mais eficiência auxiliou a redução da carga no primeiro semestre.
O principal incremento na carga de energia no primeiro semestre foi verificado
na região Norte, com alta de 3,9%. O Nordeste veio em seguida, com elevação de
3,6% frente aos primeiros seis meses de 2007. No Sul, o carga gerada no sistema
cresceu 3,5%. Principal sistema, o Sudeste/Centro-Oeste teve aumento mais
tímido, de apenas 2,1%.
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