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Câmara dos EUA rejeita pacote de US$ 700 bi; governo estuda próximo passo
O pacote de US$ 700 bilhões de ajuda ao setor financeiro, proposto pelo governo
no último dia 20 e rejeitado nesta segunda-feira na Casa dos Representantes
(Câmara dos Deputados), após uma semana de intensas negociações, tem agora um
futuro incerto. O porta-voz da Casa Branca Tony Fratto afirmou que o presidente
George W. Bush vai se reunir com membros do Congresso e da equipe econômica mais
tarde para "determinar os próximos passos".
A Casa Branca informou que está "muito desapontada" com a rejeição ao pacote.
"Não há dúvidas de que o país está enfrentando uma crise difícil", afirmou
Fratto.
Após a rejeição, as Bolsas americanas passaram a registrar quedas de mais de 5%.
No Brasil, a Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) retrocede 12,06% e desce
para os 44.660 pontos, o nível mais baixo desde março de 2007. O dólar comercial
disparou 6,21% --a sua variação mais alta desde janeiro de 1999-- e atingiu R$
1,966.
A Câmara rejeitou o pacote por 228 votos contra; a favor foram 205 votos. Os
votos contrários ao pacote de resgate dos bancos vieram tanto dos democratas
como dos republicanos. Segundo o jornal "The New York Times" ("NYT"), mais de
dois terços dos republicanos e 40% dos democratas se opuseram.
Richard Drew/AP
Bolsas em NY despencaram após a rejeição por deputados de pacote de ajuda
De acordo com o diário americano "The Wall Street Journal" ("WSJ"), líderes
republicanos e democratas dizem que vão considerar uma revisão do projeto. O
texto rejeitado hoje não pode ser reencaminhado à Câmara.
Após a votação, líder dos republicanos na Casa, John Boehner, disse que haverá
um esforço para a elaboração de um novo texto, com mais mudanças. "Temos de
encontrar um verdadeiro meio-termo", disse. "Precisamos que todos se acalmem,
relaxem e voltem ao trabalho." Ainda não há, no entanto, uma perspectiva nem
para apresentação de uma nova proposta nem para uma nova votação.
Os líderes da Câmara ainda tentaram estender a votação por mais tempo, para
convencer colegas do 'não' a optar pelo "sim", mas não tiveram sucesso. Segundo
o "WSJ", o secretário do Tesouro, Henry Paulson, fez contato com os parlamentar
via celular no esforço da aprovação.
No plenário, os defensores do pacote usaram como argumento a necessidade de
tirar o país de uma recessão e de uma crise sem precedentes. Quem votou contra,
argumentou que a aprovação do plano ocorreria por medo, o mesmo sentimento que
levou o país à guerra contra o Iraque, disseram.
Além da discussão sobre um novo texto, as lideranças no Congresso ainda precisam
lidar com outro problema prático: os congressistas têm tentado deixar
Washington, para fazer campanha --em novembro, além da eleição presidencial,
também haverá votação para renovação das casas legislativas americanas.
Apelos
Charles Dharapak/AP
O presidente dos EUA, George W. Bush, voltou a pedir aprovação do pacote para
segurar a crise financeira que atinge o país
Em novo discurso na TV, Bush disse na manhã de hoje que a aprovação do pacote
seria difícil, mas que estava otimista. "Votar essa lei é votar na prevenção de
danos econômicos a vocês e às suas comunidades", disse Bush hoje, no terceiro
pronunciamento na TV em menos de uma semana.
Bush ainda havia afirmado que, apesar do pacote de ajuda, a economia americana
ainda deverá sentir o impacto da crise "por algum tempo". "No longo prazo, os
EUA vão superar os desafios e continuar a ser a maior economia do mundo",
afirmou Bush.
Na sexta-feira (26), Bush disse, em um outro breve pronunciamento, que o governo
vai conseguir aprovar o pacote. Ele reconheceu haver desacordos sobre
determinados aspectos, mas não sobre a necessidade de se fazer algo para evitar
maiores danos à economia.
Na quarta-feira (24), Bush, em um pronunciamento um pouco mais longo, disse que
os Estados Unidos estão "imersos em uma grave crise financeira". Segundo ele,
sem o pacote, poupanças serão perdidas, os despejos aumentarão, empregos serão
perdidos, empresas vão fechar e o país irá mergulhar em "uma longa e dolorosa
recessão".
Não menos veemente foi o apelo feito na semana passada pelo presidente do
Federal Reserve (Fed, o BC americano), Ben Bernanke. Ele disse, no último dia
23, que a economia americana corre o risco de entrar em recessão, com o aumento
do desemprego e do número de despejos, se o Congresso não aprovasse o pacote.
"Os mercados financeiros estão em condição frágil e acredito que, na ausência de
um plano, eles fiquem em situação pior", disse Bernanke. "Acredito que se os
mercados de crédito não estiverem funcionando, empregos serão perdidos, nossa
taxa de crédito vai aumentar, mais despejos vão ocorrer, o PIB [Produto Interno
Bruto] vai contrair e a economia não vai conseguir se recuperar de um modo
normal, saudável."
Uma economia com dois trimestres consecutivos de PIB negativo está em recessão,
segundo analistas. A economia dos EUA cresceu 3,3% no segundo trimestre, depois
de uma revisão do dado inicial, que mostrava uma expansão de 1,9%. parta os
próximos trimestres, no entanto, as expectativas são de uma atividade econômica
ainda mais lenta.
Acordo
No fim de semana, líderes do Congresso americano e membros do governo haviam
chegado a um acordo sobre os principais elementos do plano.
Em linhas gerais, o projeto apresentado pelo Congresso limita os poderes do
Executivo para gerir o pacote, estreita a vigilância sobre a aplicação dos
recursos, reduz os pagamentos milionários aos grandes executivos por trás das
instituições financeiras que quebraram, além de ampliar benefícios para os
contribuintes.
O texto foi redigido durante a noite e a manhã de hoje, depois que os líderes do
Legislativo alcançaram um acordo, sobre suas linhas gerais, pouco depois da
meia-noite. Em comparação, a proposta inicial apresentada ao Congresso pelo
secretário do Tesouro, Henry Paulson, tinha três páginas.
Em lugar de pôr à disposição do Tesouro dos EUA, de uma vez só, os US$ 700
bilhões, o montante será liberado de forma fracionada. O governo poderá usar US$
250 bilhões imediatamente, e US$ 100 bilhões somente se o presidente Bush
considerar necessário. O Congresso pode reter os outros US$ 350 bilhões se não
estiver satisfeito com o desempenho do programa.
Os democratas também conseguiram introduzir cláusulas para a proteção do
contribuinte. O projeto estabelece um conselho de supervisão do programa, que
incluirá o presidente do Federal Reserve (banco central americano), Ben Bernanke,
entre outras altas autoridades americanas.
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