|
|
Empresários dizem que setor elétrico está mais imune à crise, mas temem por
recursos
CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio
Empresários do setor elétrico consideram que o setor está mais blindado em
relação à crise, mas temem que o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social) não consiga suprir a demanda por financiamentos do setor, em
meio a tempos difíceis de se obter crédito externo. Os dados constam de pesquisa
coordenada pelo Gesel (Grupo de Estudos do Setor Elétrico) da UFRJ (Universidade
Federal do Rio de Janeiro).
O levantamento mostra que 53,3% das companhias consultadas disseram acreditar
que a necessidade de financiamento do setor será superior à capacidade do banco.
Do universo pesquisado, 33,3% consideram que isso poderá se configurar como uma
ameaça à expansão do setor elétrico nos próximos anos.
Foram ouvidos representantes de 17 associações do setor sobre o cenário entre
2009 e 2012, nas últimas duas semanas.
A pesquisa constatou também que 60% das empresas indicam que a crise vai afetar
de alguma forma a economia brasileira. Entre todas as consultadas, 40% acham que
o cenário macro do setor elétrico continuará positivo, apesar da turbulência;
outros 46,7% afirmaram que o setor terá desempenho regular diante da crise.
"O levantamento indica que os agentes do setor estão vislumbrando o futuro de
maneira mais positiva. Eles acreditam que o cenário mundial vai impactar mais a
economia em si do que o setor elétrico. É um setor mais blindado, cujo
endividamento é em moeda nacional, e que tem faturamento crescendo acima da
inflação", afirmou o coordenador do Gesel, Nivalde de Castro, durante o Enase
2008 (Encontro Nacional de Agentes do Setor Elétrico).
Ao mesmo tempo, 46,7% dos representantes das empresas declararam ser remota a
possibilidade de que haja um novo apagão nos próximos quatro anos.
Eletrobrás
Representantes do setor presentes ao evento mantiveram discurso otimista em
relação às suas empresas no cenário atual. Em meio aos preparativos para o
lançamento de ações da empresa na Bolsa de Nova York, prevista para o próximo
dia 31, o presidente da Eletrobrás, José Muniz Lopes, demonstrou confiança com o
desempenho da estatal nos tempos atuais. Ele destacou os projetos com os quais a
empresa já firmou compromisso, os investimentos estão garantidos.
"Achei que foi uma vitória espetacular a SEC (Security and Exchange Comission, o
órgão regulador dos mercados nos Estados Unidos) nos aceitar nesse momento em
que o mercado todo está sob avaliação. Nossas ações, no Brasil, ficaram entre as
de maior rendimento este ano. Nesta crise, a oscilação foi mínima", observou.
Recentemente, a Eletrobrás anunciou que está pedindo financiamento ao Banco
Mundial para a estruturação do sistema da companhia, inclusive na reestruturação
das distribuidoras da companhia. Muniz ressaltou que a Eletrobrás não depende
exclusivamente desses recursos para estruturar seu modelo de gestão.
Sobre a crise em si, o executivo disse acreditar que a situação estará
normalizada em 2009.
"Quanto mais negra a noite, mais perto da claridade. Eu sou uma pessoa otimista,
acredito que o pacote econômico dos Estados Unidos seja aprovado esta semana. E
a vida volta à normalidade, em um outro patamar, é evidente, mas volta à
normalidade".
Projetos
O presidente da MPX Energia, Eduardo Karrer, garantiu que a empresa tem "posição
muito confortável" em relação aos recursos necessários para a carteira de
projetos da companhia. O grupo MPX é o braço de energia do grupo EBX, do
empresário Eike Batista.
"A companhia está capitalizada, tem praticamente o mesmo nível de caixa da época
do IPO --abertura de capital. Não há perspectivas de ir a mercado, estamos
completamente capitalizados. Os projetos previstos já têm financiamento de longo
prazo. Estamos em uma posição muito confortável para a carteira de projetos que
a gente têm hoje", afirmou.
Karrer acrescentou que a MPX não tinha qualquer previsão de ir ao mercado para
buscar mais recursos. Ele admitiu ainda que a empresa está reavaliando seu
planejamento inicial em função da nova conjuntura econômica mundial.
"Temos uma posição para continuar nosso programa de investimentos, sem ir a
mercado. Vamos reavaliar nosso plano original em função da nova conjuntura, mas
a companhia nunca teve planos de voltar ao mercado para implantar seu
planejamento de negócios", completou.
|
|