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Apesar de aprovação do pacote, Bovespa vira e cai 2,37%; dólar atinge R$ 2,05
da Folha Online
A aprovação do pacote anticrise na Câmara dos EUA teve uma recepção fria nos
mercados financeiros. Cumprido o roteiro esperado pela maioria dos analistas e
investidores, começou a pesar nas decisões de investimento a expectativa de que
a maior economia do planeta não escapa de uma forte desaceleração do crescimento
ou de uma recessão.
Entenda a crise dos EUA
Como a crise dos EUA afeta o Brasil
O Ibovespa, principal índice de ações da Bolsa, desvaloriza 2,37% e atinge os
45.050 pontos. O giro financeiro é de R$ 3,6 bilhões.
O dólar comercial é negociado a R$ 2,059 na venda, com forte alta de 1,77%. A
taxa de risco-país marca 351 pontos, número 2,63% mais alto que a pontuação
anterior.
As Bolsas européias, que fecharam antes do resultado da votação, concluíram os
negócios em terreno positivo, a exemplo de Londres (2,25%) e Frankfurt (2,40%).
Nos EUA, a Bolsa de Nova York opera praticamente estável, em leve baixa de
0,03%.
Presidente da Câmara dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, disse que só colocaria
pacote em votação se aprovação fosse certeza
Por 263 votos a favor e 171 contra, a Câmara dos Representantes aprovou o plano
de resgate financeiro orçado em US$ 700 bilhões.
Os deputados mudaram de opinião --a proposta foi rejeitada na última
segunda-feira por 228 votos contra e 205 a favor-- depois de acrescentados itens
que "adoçaram" o remédio que parecia apenas destinado a salvar o setor
financeiro. Entre os itens incluídos pelo Senado estão US$ 150 bilhões em
isenções e benefícios fiscais para a classe média, pequenos empresários e
famílias atingidas por acidentes naturais.
Risco para o lado "real" da economia
Para analistas, os últimos números divulgados sobre a economia americana
funcionaram como uma pressão adicional sobre os legisladores americanos. Hoje, o
Departamento do Trabalho dos EUA informou que foram eliminadas 159 mil vagas no
país em setembro, muito acima do esperado pelo setor financeiro. Trata-se da
maior queda desde março de 2003.
Os números confirmam a advertência feita ontem pelo presidente dos EUA, George
W. Bush, de que a crise financeira começa a atingir o lado "real" da economia
(setor produtivo e consumo), principalmente o mercado de trabalho.
O mercado reagiu bastante mal, ontem, a dois dados que mostraram a desaceleração
do crescimento econômico dos EUA: as encomendas às indústrias tiveram uma queda
de 4% em agosto, a pior em dois anos; a procura pelos benefícios do
auxílio-desemprego atingiu seu maior patamar desde 2001.
Na quinta-feira, profissionais das mesas de operações de bancos e corretoras
comentavam sobre o temor de uma demora ainda maior para aprovação do pacote.
Nesse cenário, o projeto de lei seria aprovado entre os deputados, mas com
modificações, o que obrigaria o retorno para o Senado, antes de seguir para
sanção presidencial.
Hoje, no entanto, os deputados americanos resolveram que a proposta de um pacote
de US$ 700 bilhões não poderá ter emendas.
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