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Dólar fecha a R$ 2,16, após ações do BC; Bovespa cede 10,57%

 

O mercado de câmbio teve mais um dia turbulento, em que a taxa oscilou entre a cotação máxima de R$ 2,200 e a mínima de R$ 2,082. Após uma ação agressiva do Banco Central, que interferiu por três vezes, a moeda americana foi negociada a R$ 2,166 (venda), nas últimas operações registradas nesta quarta-feira, com avanço de 3,48%.

Os investidores estão nervosos com o contágio da crise global para empresas não-financeiras. Hoje, números da economia americana e balanços de bancos reforçaram esse pessimismo. E mesmo autoridades dos EUA não escondem a preocupação com o horizonte da maior economia mundial. "As pessoas devem saber que temos pela frente vários meses com dificuldades", disse o secretário do Tesouro americano, Henry Paulson.

Nas casas de câmbio paulistas, o dólar turismo foi cotado a R$ 2,330, em um avanço de 4,95% sobre a taxa de ontem.

A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) já interrompeu suas operações, às 14h24, quando o índice Ibovespa caiu 10%. Na retomada, a Bolsa opera com perdas de 10,57%, aos 37.242 pontos. O giro financeiro é de R$ 6,51 bilhões.

O Banco Central entrou por três vezes no mercado de câmbio. A primeira, às 10h20, quando realizou um leilão de venda de dólares, com queima de reservas, e aceitou ofertas por R$ 2,1450 (taxa de corte). Pouco tempo depois, a autoridade monetária voltou ao mercado de câmbio e promoveu um novo leilão de venda de dólares, desta vez com um compromisso de recompra.

E no início da tarde, a autoridade monetária fez um leilão de "swap" cambial, programado desde ontem, quando ofereceu US$ 2,23 bilhões desses contratos, de vencimento em abril de 2009. Os bancos aceitaram, no entanto, US$ 1,282 bilhão.

"O Banco Central está usando tudo o que pode mas não está conseguindo segurar o dólar", comenta Vanderley Muniz, operador da corretora gaúcha de câmbio Onnix, que reconhece: "se o Banco Central não estivesse atuando, não dá para saber onde esse dólar poderia chegar".

Recessão

Os mais de US$ 2 trilhões anunciados pelos governos europeus e dos EUA para resgatar o sistema financeiro propiciaram um alívio somente momentâneo para os mercados. A injeção de recursos pode ser conveniente para ajudar" os bancos, avaliam analistas, mas não para salvar a chamada "economia real" (setor produtivo e consumo).

O noticiário econômico acumula exemplos de empresas não-financeiras afetadas pela crise global. As gigantes do setor automobilístico General Motors e Ford Motors anunciaram demissões em massa, assim como a Pepsico, do setor de alimentos.

Os investidores também estão nervosos com o início da temporada de divulgação de balanços, quando os bancos já afetados pelos problemas com os créditos "subprime" devem revelar mais uma dimensão de suas perdas com a crise. Os bancos Well Fargo e JP Morgan já forneceram uma prévia potencial do que pode surgir nas próximas semanas: o primeiro admitiu um lucro 24% abaixo dos resultados de 2007, enquanto no caso do segundo, o ganho foi 84% na comparação com o ano passado.





 

 

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