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Argentina abre guerra comercial com o Brasil, diz jornal

 

MARCIA CARMO
de Buenos Aires para a BBC Brasil


O jornal argentino "El Cronista" estampa na capa de sua edição desta sexta-feira que "uma guerra comercial já está aberta contra Brasil".

Assim como outros órgãos da imprensa da Argentina, o periódico dá grande destaque à decisão, anunciada pela alfândega argentina, de implementar uma operação para brecar importações.

De acordo com o jornal, a fiscalização passará a ser "mais rigorosa" com produtos do Brasil diante da "indiferença" do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos "pedidos da presidente Cristina Kirchner" para impedir o aumento das vendas por causa da queda do real.

"(O) Brasil ajustou o câmbio e agora não quer medidas para evitar a invasão de importações", escreve o jornal. Segundo o "El Cronista", Lula não quis atender um "pedido" da colega argentina para controlar as importações.

Nesta sexta-feira, os jornais "Clarín" e "La Nación" também destacaram a medida da alfândega.

Um dos principais pontos de destaque é a decisão de incluir 120 produtos importados majoritariamente do Brasil em uma lista de mais de 21 mil mercadorias que passarão a ter maior controle para entrar no país.

A lista de 120 itens reúne 50 produtos do setor têxtil, 20 da linha branca (geladeiras, fogões e lavadoras de roupas) e outros 50 do setor metalúrgico, que, de acordo com a imprensa argentina, são importados principalmente do Brasil.

"Dumping"

Oficialmente, a alfândega argentina insiste que o Brasil não é o alvo do aumento de controle, e sim as mercadorias de origem asiática.

O maior controle consiste no que a alfândega chama tecnicamente de "valor critério", ou seja, os produtos considerados muito baratos podem ser barrados com base no argumento de que estão fazendo "dumping" (concorrência desleal de preços).

Segundo as autoridades argentinas, os valores avaliados como inaceitáveis não são praticados pelo Brasil. Mas a explicação é contestada por analistas.

"Esses [produtos] não estavam na lista da alfândega e atendem claramente a demanda dos industriais argentinos para que se controle mais o que vem do Brasil", diz à BBC Brasil o economista Raul Ochoa, professor de comércio internacional da Universidade de Buenos Aires (UBA).

"Quando se fala, por exemplo, em metalurgia ou metal-mecânico, está se falando em máquinas agrícolas, e estas são brasileiras, e não produtos asiáticos", acrescenta Ochoa.

Tarifa

O jornal "La Nación" afirma que a Argentina aumentará a TEC (Tarifa Externa Comum) em até 35%, máximo permitido pela OMC (Organização Mundial de Comércio) para diferentes produtos, de acordo com medida assinada no ano passado pelos países do Mercosul, mas que ainda não foi colocada em pratica.

Ainda de acordo com a imprensa local, em uma reunião na noite de quinta-feira com líderes do setor industrial e do setor bancário, Cristina Kirchner pediu que eles "defendam o trabalho" dos argentinos.

Em troca, a presidente teria se comprometido a "proteger" o mercado local das possíveis invasões comerciais neste momento de crise.

O governo e os industriais entendem que, com a turbulência internacional, as vendas internacionais vão cair e os exportadores vão se tornar mais agressivos, tentando vender mercadorias a preços mais baixos do que os de mercado, ameaçando a indústria local.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, se manifestou contra a idéia de aumentar tarifas tanto dentro como fora do bloco.




 

 

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