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Baixa renda perde crédito e venda de carro mil despenca
A venda de automóveis sofreu uma queda expressiva em
outubro que foi puxada, principalmente, pela redução no
comércio de veículos com motor 1.0, os chamados
populares. A participação dos carros mil caiu a 47,2%
dos negócios, a mais baixa desde 1994. A média no ano é
de 51,1%.
O presidente da Anfavea (Associação Nacional dos
Fabricantes de Veículos Automotores), Jackson Schneider,
afirmou que a queda é reflexo da falta de crédito,
fundamental para o acesso da baixa renda ao carro novo.
"Quem mais sentiu a restrição de crédito de outubro foi
a baixa renda. O crédito é importante para esse
segmento", afirmou.
Os carros de 1.000 cilindradas nunca ficaram abaixo de
50% de participação das vendas desde 1994, quando essa
categoria ainda se aquecia no mercado e alcançava 45,9%.
Foi neste ano que o governo derrubou de 14% para 0,1% o
IPI (Imposto de Produtos Industrializados) dos
populares.
A partir daí, a participação só cresceu até atingir
74,6% em 2001, com os carros populares favorecidos pela
baixa tributação.
Desde 2002, a fatia passou a encolher e, em 2004, o IPI
dos veículos de até 1.000 cilindradas subiu a 9%, o que
inibiu ainda mais as vendas dessa modalidade, que fechou
com participação de 56,4% no ano passado.
Em outubro deste ano, os automóveis com motor 1.0
somaram 85.522 unidades, queda de 19,5% na comparação
com setembro e de 12,6% em relação a outubro de 2007. Os
veículos de 1.000 a 2.000 cilindradas somaram 92.792 em
outubro, queda de 6,1% e de 1%, na mesma comparação. Os
modelos com motorização acima de 2.000 cilindradas
ficaram em 2.723 em outubro, queda de 10,5% e 9,6%.
A venda de automóveis caiu 2,1% em relação a outubro do
ano passado e 11% em relação a setembro deste ano, maior
queda entre meses desde 2003.
As montadoras culpam a falta de crédito pela redução das
vendas de outubro, mas esperam uma regularização a
partir deste mês, principalmente após notícia do Banco
do Brasil que vai irrigar o crédito do setor com R$ 4
bilhões.
O presidente do Banco do Brasil, Antônio Francisco de
Lima Neto, afirmou que só nesta semana já vai liberar R$
1 bilhão. "Como as montadora têm uma fonte de captação
importante no crédito interbancário, quando ele secou,
eles tiveram que reduzir os prazos de financiamentos.
Com a volta do interbancário, é natural que se volte a
ter uma melhor acomodação dos prazos", avaliou.
Como a falta de crédito, os financiamentos também
encolheram na comparação com os meses anteriores. As
compras a prazo representaram 59% dos negócios em
outubro deste ano e, as feitas à vista somaram 41%. No
mesmo período do ano passado, as fatias eram de 65% e
35%, respectivamente.
Medidas
O ministro Guido Mantega (Fazenda) anunciou nesta
quinta-feira, durante reunião do chamado Conselhão (o
CDES, Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social),
uma série de novas medidas que, juntas, disponibilizam
R$ 19 bilhões em linhas de crédito para diversos setores
via BNDES (banco estatal de investimento) e Banco do
Brasil.
A retração do crédito é o principal efeito da crise
financeira no Brasil. O ministro confirmou ainda o
adiamento no prazo de pagamento de alguns tributos para
elevar o capital de giro do setor produtivo.
Durante seu discurso, Mantega avaliou ainda que, desde o
fim de outubro, os mercados mundiais entraram no que ele
chamou de momento de "calmaria". "A boa notícia é que o
pior da crise está passando e já há sinais de
arrefecimento."
O anúncio com valor mais alto refere-se ao BNDES, que
terá mais R$ 10 bilhões para financiar o capital de giro
de empresas e para empréstimos em linhas de exportação
pré-embarque --ou seja, os valores serão usados para
permitir as vendas externas. Em outubro, o governo já
tinha liberado R$ 5 bilhões.
Outros R$ 5 bilhões, provenientes do BB (Banco do
Brasil), serão usados para abrir uma linha de crédito
para capital de giro de pequenas e médias empresas.
Veja a participação dos veículos 1.0 nas vendas:
Ano - - Participação (em %)
1990 - 4,3
1991 - 11,5
1992 - 16,0
1993 - 28,4
1994 - 45,9
1995 - 53,8
1996 - 56,3
1997 - 64,1
1998 - 72,7
1999 - 67,4
2000 - 70,1
2001 - 74,6
2002 - 68,9
2003 - 64,7
2004 - 58,7
2005 - 56,6
2006 - 58,7
2007 - 56,4
2008 - 51,1 (média, até outubro)
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