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Meirelles nega que Brasil possa flexibilizar sua
política monetária
YGOR SALLES
da Folha Online
O presidente do BC (Banco Central), Henrique Meirelles,
negou nesta segunda-feira que o Brasil está no grupo de
nações que poderia flexibilizar a política monetária,
sugestão mencionada hoje pelo presidente do BCE (Banco
Central Europeu), Jean-Claude Trichet, e no sábado pelo
presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick.
Trichet afirmou nesta segunda-feira que os países "em
condições" --perspectiva de inflação em queda,
essencialmente-- deveriam flexibilizar suas políticas
monetárias e implementar medidas fiscais, quando as
dívidas estiverem sob controle, para enfrentar a crise
global.
"Todos os países devem tomar medidas fiscais conforme
suas condições", disse Meirelles. "A política monetária
que será seguida está explicitada na ata da reunião do
Copom [Comitê de Política Monetária do BC], publicada na
última quinta-feira." Segundo ele, a autoridade
monetária deve adotar a "política necessária para manter
a inflação sob controle".
Para Meirelles, o principal problema enfrentado pelo
Brasil por conta da crise é a da falta de liquidez
(crédito), sobre a qual o BC já age.
"O Brasil tem adotado medidas decididas, aproveitando de
sua [boa] condição nas reservas internacionais, sua
dívida pública, com porcentagem em queda sobre o PIB, e
compulsórios elevados, com condições de serem
reduzidos", disse Meirelles. "Era uma posição
relativamente melhor do que alguns países e certamente
melhor que no passado recente."
Meirelles afirmou que outros problemas causados pela
crise não afetam o Brasil, como perdas bancárias ou
grande dependência de exportações a países
desenvolvidos.
Sobre a reunião do BIS (Banco para Compensações
Internacionais, na sigla em inglês, o banco central dos
bancos centrais), Meireles relatou que os presidentes
disseram acreditar que a situação de crédito nos
mercados melhorou, mas ainda está longe da normalidade.
Também houve consenso de que a economia mundial vai
desacelerar substancialmente em 2009.
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