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Chanceler paraguaio nega deterioração em relações com Brasil


da Efe, em Beirute

O ministro de Relações Exteriores do Paraguai, Alejandro Hamed Franco, negou nesta quinta-feira que haja uma deterioração nas relações de seu país com o Brasil e confia em fechar em breve a negociação sobre a central hidrelétrica de Itaipu.

"Não há outro remédio a não ser negociar, negociar e negociar", disse Hamed em entrevista à agência de notícias Efe em Beirute, onde está desde ontem para uma visita oficial de dois dias ao Líbano, como parte de uma viagem pela região.

As relações entre os dois países foram afetadas recentemente por algumas manobras militares brasileiras na fronteira, e por Assunção querer alterar o contrato firmado para o uso da hidroelétrica de Itaipu.

O ministro paraguaio, no entanto, qualificou como "excelentes" as relações entre Paraguai e Brasil, um de seus vizinhos mais importantes, mas reconheceu que "existem problemas de fronteira" e que seu país fez sua inquietação nesse sentido "chegar ao governo brasileiro".

Segundo ele, no futuro os governos dos dois países vizinhos adotarão medidas para evitar atritos como os gerados pelas últimas manobras militares, mas ele não acredita "que isso ofereça problemas".

Sobre Itaipu, a hidrelétrica na fronteira e cuja administração é compartilhada entre Brasil e Paraguai, Hamed destacou que seu governo conseguiu, pela primeira vez em mais de 30 anos, instalar uma mesa de negociações. "A reforma do tratado, a modificação dos termos (...), só serão alcançadas em nível de negociações", disse.

O Paraguai está pedindo livre disponibilidade do excedente da energia na hidrelétrica de Itaipu.

Na entrevista, o ministro também se referiu aos passos que ficam pendentes no Paraguai para que se aprove a incorporação plena da Venezuela ao Mercosul, que encontra oposição em vários grupos parlamentares, alguns deles aliados do governo.

Hamed classificou de "mal-entendidos" as diferenças surgidas sobre os acordos vinculados a essa incorporação. "Nenhum dos 13 documentos (...) atentam contra a soberania de nosso país", ressaltou. "Penso que uma vez que este mal-entendido seja esclarecido e se chegue à conclusão de que estes tratados são favoráveis ao Paraguai, não haveria objeção por parte do Parlamento no futuro."

Ele destacou que a entrada da Venezuela ao Mercosul vem se arrastando desde a administração anterior "por razões políticas internas".

"Temos a esperança de que com um novo Parlamento, uma nova realidade e um novo contexto político regional, a presença da Venezuela no Mercosul nos será propícia".

Ele falou também sobre a próxima cúpula do Mercosul, que será realizada em 16 de dezembro no Brasil, e na qual participarão os chefes de Estado dos países latino-americanos e do Caribe, dois dias depois, na primeira conferência desse tipo.

Embora Hamed não acredite que haja grandes mudanças na cúpula do Mercosul, disse que o Paraguai, que terá a Presidência rotativa até julho, deseja um papel mais importante.

"Queremos pôr muita ênfase nos temas sociais que pela primeira vez estão aparecendo nas últimas agendas das reuniões do Mercosul", disse o ministro paraguaio.

Em relação à cúpula da América Latina e do Caribe que será realizada na Bahia, ele destacou que será a primeira vez em que essas nações se reunirão para tratar de problemas regionais específicos e também dos internacionais.

"Esse grupo de Estados se reunirá de forma autônoma, específica para tratar de nossos problemas, que supõe uma mudança de posicionamento muito grande", disse.

"As coisas nesse sentido estão avançando positivamente" porque "estamos tomando consciência do lugar que ocupamos e do papel que temos que desempenhar em matéria de relações internacionais", afirmou.

 

 

 

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