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Paralisações na indústria dobram com efeitos da crise, aponta IBGE
 

O número de empresas que paralisaram parte da produção em outubro praticamente dobrou em relação ao que fora constatado em igual período no ano passado. O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) identificou 118 paradas no mês passado, ante 68 observadas em outubro de 2007.

A produção industrial do país desacelerou 1,7% em outubro frente ao mês anterior, após crescimento de 1,7% em setembro.

O coordenador de Indústria do órgão, Silvio Sales, disse que não é possível identificar se todas essas paralisações estavam previamente programadas, mas que indícios apontam que trata-se de uma resposta imediata da indústria ao início da crise.

"O perfil dessa queda e o tipo de informação que a gente levantou na pesquisa sugerem que possa ter sido uma reação à crise, que esses números refletem as primeiras adaptações das empresas a esse novo cenário mundial", afirmou.


Sales acrescentou que esses dados podem indicar que a indústria passou por um momento de "arrumação" em outubro, com ajuste dos estoques diante da possibilidade de menor demanda futura com o estabelecimento da crise. O especialista disse ainda que os empresários podem ter sido mais cautelosos diante do agravamento da crise.

Os setor de produtos alimentícios foi o maior concentrador das paradas, com 31 no total, contra 20 registradas em outubro do ano passado. O setor de outros produtos químicos, que inclui a indústria petroquímica, informou 26 paralisações na produção, ante 11 em igual período em 2007.

Silvio Sales explicou que os setores da cadeia intermediária de produção foram os que refletiram de forma mais imediata os efeitos do início da crise. No caso da produção de outros produtos químicos, que liderou a queda tanto na comparação com o mês anterior quanto na comparação com igual período ano anterior, pode ter ocorrido efeito ainda da alta do dólar. Sales lembrou que boa parte da matéria-prima utilizada por esse segmento é importada, e o dólar mais valorizado prejudicou essas importações.

"O que pode se aguardar é se esse sinal que surgiu em outubro foi mais concentrado pelo efeito dessa paralisia, essa dificuldade de negócios, ou se pode ser o início de uma trajetória mais clara de redução da atividade", comentou Sales.

No caso da produção de veículos automotores, que teve o menor crescimento desde fevereiro de 2007 na comparação com igual período no ano anterior, houve efeito direto da antecipação de férias coletivas em diversas fábricas. Em outubro, tal produção aumentou 4,1% sobre período correspondente em 2007.

 

 

 

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