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Montadoras têm 300 mil
veículos e R$ 12 bi parados nos pátios
As fabricantes de
automóveis no país vivem, neste final de ano, uma das
maiores quedas nas vendas, prejudicadas pela falta de
crédito e aumento dos juros. Apesar da produção
reduzida, para acompanhar a demanda desaquecida, as
montadoras têm 305 mil veículos parados em seus pátios,
segundo dados divulgados nesta quinta-feira pela Anfavea
(Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos
Automotores).
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EUA
Considerando cálculo do mercado de que os veículos
representam R$ 40 mil de capital de giro, em média, os
pátios cheios representam ao menos R$ 12 bilhões
parados. Isso sem contar com os custos de manutenção e
as perdas com ausência de financiamentos.
Também em uma conta aproximada, um estoque como esse
representa algo em torno de R$ 4 bilhões em impostos.
Mark Lennihan/AP

Montadoras registram mais de 300 mil veículos e R$ 12
bilhões parados nos pátios
De acordo com o presidente da Anfavea, Jackson
Schneider, o estoque ao final de novembro representava
56 dias, sendo 25 na indústria e outros 31 nas
concessionárias.
A última vez que o setor registrou estoque tão alto foi
em setembro de 2001, quando bateu 57 dias. Em outubro
deste ano, o estoque estava em 38 dias, sendo 13 na
indústria e 25 nas concessionárias.
Além da queda de venda e produção, de 25% e 28,6%,
respectivamente, o mês de novembro também registrou
outros dados negativos: houve queda nas exportações de
7,8% e as indústrias registraram a primeira redução de
postos de trabalho desde dezembro de 2006, com demissão
de 480 funcionários.
"Ninguém levantou investimento de forma irresponsável. A
freada foi muito forte e surpreendente", afirmou
Schneider.
Embora o setor esperasse uma desaceleração neste segundo
semestre, depois de fortes altas registradas desde
meados de 2007, a crise no crédito acabou por impactar a
indústria.
As férias coletivas e folgas anunciadas pelas montadoras
para novembro e dezembro atingem pelo menos 47 mil
funcionários em todo o Brasil. Esse número equivale a
41,6% da força de trabalho do setor, que conta com 113
mil empregados (incluindo fábricas de automóveis,
comerciais leves, caminhões e ônibus) no país.
Crédito
A queda na venda de veículos, que vinha puxando o
crédito e a geração de empregos há mais de um ano, é uma
dos principais preocupações do governo. A indústria
automotiva sofre em todo o mundo com a crise financeira
internacional.
Em outubro, a Anfavea (associação das montadoras)
atribuiu a queda de veículos à falta de crédito e
afirmou que em novembro já deveria ter início uma
normalização.
O governo anunciou no início de novembro a liberação de
R$ 4 bilhões do Banco do Brasil para os bancos das
montadoras, para irrigar o crédito do setor.
Na mesma seguinte, a Nossa Caixa, por determinação do
governo do Estado de São Paulo, também liberou R$ 4
bilhões com o mesmo objetivo.
Ano
Com as quedas consecutivas de outubro e novembro, a
Anfavea revisou suas projeções de venda, produção e
exportação para o ano.
As vendas internas devem encerrar o ano em 2,815 milhões
de unidades, e não 3,060 milhões como previsto. Mesmo
com a revisão, os licenciamentos ficarão 14,3% acima do
registrado em 2007.
No caso da produção, a estimativa caiu de 3,425 milhões
de veículos para 3,240 milhões, que ficará 8,8% acima de
2007.
As exportações, antes previstas para somarem US$ 14,5
bilhões, devem terminar 2008 em US$ 13,7 bilhões, alta
de 1,5% sobre 2007.
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