Controle de capitais é útil diz Fundo
Monetário Internacional (FMI)
O diretor gerente do Fundo Monetário Internacional
(FMI), Dominique Strauss-Kahn, disse nesta quinta-feira
na sede da instituição, em Washington, ser
"absolutamente correto" que os mercados emergentes se
preocupem com um risco de inflação. O economista
reconheceu que a entrada de capital é muito grande em
muitos dos países emergentes e que é preciso controlar
isso, indicando uma mudança na abordagem tradicional do
FMI que costumava ser avessa a medidas para o controle
de fluxos de capital.
"Por décadas dizíamos que o controle de capital era
ruim. Agora temos uma visão mais pragmática e achamos
que ele pode ser útil. Até ontem o controle de capital
não fazia parte da nossa caixa de ferramentas, mas agora
é uma das nossas ferramentas", afirmou Strauss-Kahn.
Segundo ele, o maior risco para a economia mundial
atualmente é a complacência.
"Adverti a comunidade internacional em novembro passado,
em Seul (durante a 5ª Cúpula do G20) que a segunda fase
da crise seria mais difícil, pois os responsáveis pela
elaboração de políticas veem a crise como superada",
disse o chefe do FMI. Strauss-Kahn falou na importância
de uma cooperação entre todas as nações para que os
problemas econômicos mundiais sejam controlados.
"É errado ter soluções locais para desafos globais",
afirmou ele. O economista disse estar satisfeito com o
nível de cooperação atual, que demonstra um grande
contraste com o cenário mundial de até alguns anos
atrás. "Há cinco anos este tipo de cooperação seria um
sonho. O nível atual mosta um aprimoramento incrível",
afirmou.
Brasil-França
Christine Lagarde, ministra de Economia e Finanças da
França, disse que o Brasil tem sido 'vítima de
movimentos bruscos de capital', mas que o controle do
mercado global não estará na pauta da reunião com o
ministro da Fazenda, Guido Mantega, nesta quinta-feira.
"Não estamos no negócio de fixar preços", afirmou
Lagarde, que explicará a Manteiga qual é a posição do
governo francês com respeito ao preço das commodities.
Lagarde afirmou estar disposta a discutir com Mantega
sobre o desenvolvimento pelo G20 de uma possível
estrutura para garantir relações mais aprimoradas entre
os fornecedores de commodities e as nações compradoras
destes produtos, e que quer entender bem o que o
ministro brasileiro tem em mente. "Palavras como 'guerra
de moedas e confrontação' não estão na nossa agenda",
disse a ministra francesa.
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