O patamar do dólar continua abaixo de 1.6
governo não reage
O dólar abriu a semana em alta frente ao real, reagindo
à maior aversão a risco em todo o mundo por preocupações
com a situação fiscal dos Estados Unidos e da Grécia. A
cotação terminou em R$ 1,59 na venda, alta de 0,76%. Na
máxima do dia, a cotação chegou a avançar a R$ 1,60.
Perto do fechamento desta segunda-feira, contudo, a
moeda reduziu os ganhos, em meio a alguma melhora nas
principais bolsas de valores internacionais. "Tem uma
aversão a risco generalizada lá fora. Preocupação com os
Estados Unidos, a Grécia... É natural o dólar subir
contra o real, até porque está subindo lá fora também",
afirmou Victor Asdourian, operador de câmbio da Hencorp
Commcor Corretora.
A notícia que mais repercutiu entre os players foi a
piora na perspectiva da nota de crédito dos Estados
Unidos pela Standard & Poor's, que citou um "risco
material" de que os formuladores de políticas não
concordem sobre como reduzir o amplo déficit
orçamentário do país.
Embora tenha mantido o rating máximo "AAA" aos EUA, a
S&P disse que as autoridades americanas não deixaram
claro como pretendem combater as pressões fiscais de
longo prazo. Ainda de acordo com a agência, a
perspectiva negativa sinaliza ao menos uma chance em
três de que o rating seja reduzido dentro de dois anos.
A possibilidade de que a Grécia peça uma reestruturação
da dívida também abateu o humor de investidores. O país
e a Comissão Europeia negam que isso esteja em pauta,
mas um jornal grego afirmou que Atenas já solicitou aos
credores que o assunto seja discutido. Para fontes
alemãs, a Grécia não passa do meio do ano sem que reveja
a dívida a ser paga.
O euro registrava a maior queda percentual diária frente
ao dólar desde novembro. Tal movimento alimentava a
valorização de 0,9% da moeda americana ante uma cesta de
divisas.
As bolsas em Wall Street diminuíam a queda para cerca de
1%, enquanto o índice de volatilidade da CBOE saltava
10,6%, mas já subira cerca de 20% durante o dia.
O mercado monitorou ainda comentários do ministro da
Fazenda, Guido Mantega, sobre medidas no câmbio. Em Nova
York, Mantega afirmou que o governo continuará tomando
ações para conter valorização excessiva do real, mas
ponderou que não se pode esperar uma medida por dia no
câmbio.
O Banco Central manteve as atuações diárias sobre o
mercado e adquiriu dólares através de dois leilões à
vista, com taxas de corte de R$ 1,5992 e R$ 1,5890,
respectivamente.
Enquanto o governo continuar a desperdiçar bilhões
comprando dólares mais caros e vendendo mais barato, o
real continuará valorizado causando prejuízos ao país.
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