FMI recomenda ajustes fiscais para
controlar crescimento do Brasil
Convidado para discursar no XIII Seminário Anual de
Metas para a Inflação, que ocorre entre quinta-feira e
sexta-feira na sede do Banco Central no Rio de Janeiro,
o diretor do Fundo Monetário Internacional (FMI) para o
hemisfério ocidental, Nicolás Eyzaguirre, afirmou que
não vivemos tempos de ortodoxia, mas que o momento
invoca pragmatismo. O economista alertou para o
crescimento do Brasil na última década e recomendou
políticas que sejam eficientes para resistir a crises
futuras.
Segundo Eyzaguirre, são duas as possibilidades de riscos
em um futuro próximo. A primeira pode ser ocasionada por
uma crise internacional no petróleo, devido à
instabilidade no Oriente Médio. A segunda é a escassez
de recursos financeiros globais. Eyzaguirre afirma que
isso pode ocorrer se os Estados Unidos não conseguirem
adequar sua política fiscal à demanda do consumo
privado, que tem sido contida nos anos de crise, gerando
um grande potencial de aceleração.
"Os americanos estavam acostumados a trocar de carro uma
vez a cada dois anos, por exemplo. Muitos não o fizeram
nos tempos de crise e isso pode voltar a ocorrer agora.
Isso pode provocar um choque nos juros e no preços de
produtos como commodities que podem influenciar o
mercado latino americano e brasileiro", explicou.
Para Eyzaguirre, o crescimento deve ser controlado e o
Banco Central e a equipe econômica devem tomar
providências para não criar bolhas nos setores
imobiliários e de crédito. Segundo ele, o número de
pessoas interessadas em adquirir crédito no Brasil
aumentou muito nos últimos anos e as políticas fiscais
precisam estar atentas.
"Se deixarmos a nossa economia crescer muito, de forma
desenfreada, quando o vento mudar, nós vamos ter grandes
problemas", afirmou. Segundo ele, a fiscalização não se
confunde com intervenção maléfica do Estado sobre a
economia. "Nós (o FMI) somos contra controle e agora eu
venho aqui dizer para controlar. Não é isso. O Brasil
sofreu uma mudança em sua situação financeira muito
grande. Então cabe fazer ajustes", defendeu.
De acordo com ele, o Brasil se valeu do crescimento
asiático, impulsionado pela China, para resistir às
últimas crises. "A China retomou o crescimento
rapidamente, mantendo o preço das commodities, que é
muito importante para o Brasil", afirmou.
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