Brasil pode entrar em nova recessão com
dívida interna aumentando
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou nesta
segunda-feira que a meta de superávit primário (economia
feita para pagar juros da dívida) para 2011 será R$ 10
bilhões maior do que o previsto. Com isso, o esforço
fiscal vai passar de R$ 117,8 bilhões para R$ 127,8
bilhões - um aumento de cerca de 8,5%. A medida foi
adiantada durante a manhã pelos presidentes das centrais
sindicais, após reunião com Mantega e a presidente Dilma
Rousseff.
De acordo com Mantega, a alteração visa preparar melhor
o Brasil para a crise internacional, que pode provocar
nova recessão nas principais potências globais. Apesar
da situação favorável da economia brasileira ante
turbulências percebidas nos Estados Unidos e em países
da Europa, na avaliação do ministro, é preciso
fortalecer o cenário fiscal brasileiro para que a
desaceleração da economia não se repita, como aconteceu
na crise de 2008.
O Brasil está "sólido", tem mais reservas que 2008, as
empresas estão mais capitalizadas que 2008, os bancos
estão sólidos, estamos preparados para a crise, mas
nunca se sabe o que vem. Se vier uma situação pior para
a economia brasileira, o Banco Central estará em
condições de agir com medidas monetárias mais
expansionistas, caso haja agravamento da crise. Vamos
gastar menos no fiscal e ter política monetária, caso
isto venha a ocorrer (agravamento da crise). Tomara que
não ocorra, não acredito nisso", disse.
Segundo ele, a medida é possível pelo aumento da
arrecadação no ano - o governo já tinha alcançado em
julho R$ 66 bilhões, que representa 81% da meta
anterior. O aumento da meta atingirá o esforço do
chamado governo central - Previdência Social, Tesouro
Nacional e Banco Central. Para este setor, haverá uma
alta dos atuais R$ 81,8 bilhões para R$ 91,8 bilhões. A
mudança entrará em vigor somente após o envio do projeto
alterando a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), que
deve ser aprovada aprovado pelo Congresso.
Juros
O anúncio da nova medida aconteceu no dia anterior à
reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que vai
analisar a taxa básica de juros (Selic). No entanto,
Mantega afirmou que não tem o objetivo de pressionar o
Banco Central para reduzir os juros. As centrais
sindicais prometeram fazer manifestações em frente ao BC
nesta terça e quarta-feira contra a medida. Mantega
afirmou apenas que a ampliação do superávit pode abrir
caminho para a redução da Selic, "quando for oportuno
segundo o BC".
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