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Os juros para famílias são maiores, inadimplência dispara

Os juros para as famílias atingiu 47% ao ano em outubro, o maior valor desde maio de 2009 (quando foi registrado 47,3% ao ano), segundo divulgou nesta quarta-feira o Banco Central (BC). A alta taxa de juros justifica, também, o crescimento da inadimplência das pessoas físicas, que atingiu 7,1% em outubro deste ano, o maior percentual de famílias endividadas desde fevereiro do ano passado, quando 7,2% delas estavam inadimplentes.

Entre as modalidades de crédito destinadas às famílias, a mais cara continua sendo o cheque especial. Após atingir o nível mais alto dos últimos 12 anos em julho de 2011 (188% ao ano), a taxa de juros desse tipo de crédito vem caindo desde então, até atingir 183,8% em outubro. O custo do empréstimo pessoal subiu entre setembro e outubro, de 49,7% para 52,2%, atingindo o maior valor desde fevereiro de 2009, quando foi de 54,5%.

De acordo com a autoridade monetária, no entanto, houve uma queda na taxa média de juros para as empresas, que passou de 30% para 29,8% ao ano em outubro, na comparação com setembro. Mesmo assim, a inadimplência do setor subiu no mês passado, atingindo 4% das empresas, contra 3,8% em setembro.

O saldo das operações de crédito do sistema financeiro chegou a R$ 1,946 trilhão, em outubro, alta de 0,8% em relação a setembro e de 18,4%, em 12 meses. Esse saldo representou 48,5% de tudo o que o País produz - Produto Interno Bruto (PIB), o mesmo resultado observado em setembro deste ano. Em outubro de 2010, essa relação estava em 45,6%.

O volume total de crédito concedido no País atingiu R$ 1,029 trilhão até o final de outubro, sendo R$ 529,8 bilhões para as famílias. O total para as pessoas físicas teve leve queda (de R$ 100 milhões) em relação a setembro. O BC culpa a greve dos bancários, em setembro e outubro deste ano, pela redução do volume de crédito às famílias. Segundo a autoridade monetária, "a greve bancária restringiu parcialmente o acesso aos serviços bancários".

O chefe do departamento econômico do BC, Túlio Maciel, explica que a restrição de serviço prestado nas agências reduziu as tomadas de créditos maiores e a renegociação de dívidas. "A gente pode observar que aquelas operações, empréstimos que são tomados nas agências que precisam de assinatura de documentos e negociações ficaram mais restritos.

Enquanto isso, as operações de créditos pré-aprovado, crédito automático, tiveram crescimento no período. Por exemplo, as concessões de consignados, que têm juros mais baixos, tiveram queda de 13,4% em outubro ante setembro. O crédito para compra de veículos caiu 9%, o crédito pessoal, 9,7% como um todo, enquanto o cheque especial que é pré-aprovado, teve aumento de concessões no mês de 4%", disse.

Segundo Maciel, nos próximos meses, deve haver recuo na inadimplência devido à queda da taxa básica de juros, a Selic, a partir de agosto, e da reversão parcial de medidas de restrição do crédito definidas pelo BC.

Nos dados preliminares de novembro, até o dia 10 (sete dias úteis), a taxa de juros média para pessoas físicas caiu 1,5 ponto percentual em relação ao final de outubro e ficou em 45,5% ao ano. No caso das empresas, houve alta de 0,1 ponto percentual.

 

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