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Amorim diz que só agenda reforma ortográfica com bola de cristal
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim,
saiu em defesa do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa nesta sexta-feira, em
Lisboa, mas se recusou a agendar uma data para a implementação das normas.
Portugal é um dos países que oferece resistência ao acordo cuja intenção é
unificar as grafias das palavras em toda a comunidade lusófona. "Isso [data para
entrada em vigor] só com bolinha de cristal, que eu não tenho", afirmou.
Em entrevista a jornalistas, Amorim afirmou que é preciso "compreensão" quanto à
demora de alguns países em aceitar o acordo.
O documento, atualmente, conta com as assinaturas de Brasil, Cabo Verde e São
Tomé e Príncipe. Pelas regras da CPLP (Comunidade dos Países de Língua
Portuguesa), tendo a adesão de três países, o acordo já poderia entrar em vigor.
Restariam, assim, Portugal, Guiné-Bissau, Moçambique, Angola e Timor Leste.
"Todos reconhecemos que é importante ter o acordo ortográfico, até para
fortalecimento da língua", afirmou Celso Amorim. "Para que possamos todos
trabalhar em conjunto, o acordo é fundamental. Como podemos trabalhar se um diz
actual e o outro, atual?"
Para o vice-presidente da Academia de Lisboa, Antonio Braz Teixeira, o problema,
em Portugal, é que editores de livros pressionam "o governo português no sentido
de adiar, indefinidamente, a data de início de sua [do acordo] aplicação
efetiva". Teixeira propôs recentemente à Academia Brasileira de Letras que a
reforma entre em vigor em 2008.
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