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Curso noturno facilita prática
JOHANNA NUBLAT
, em Brasília
Muitas vezes deixados de lado por quem presta vestibular, os cursos noturnos têm
pontos positivos que devem ser levados em consideração pelos candidatos nos
processos seletivos.
Na opinião de professores e de alunos ouvidos pela Folha, a opção pela noite
abre espaço para colocar o aprendizado em prática durante o dia, o que torna os
futuros profissionais mais competitivos no mercado.
A opção de trabalhar é muitas vezes menos pela necessidade financeira e mais
pelo desejo de complementar a formação com a prática ainda durante a faculdade.
Mudar
Até quem escolhe estudar durante o dia acaba se rendendo às virtudes do período
noturno, principalmente nos anos finais da graduação, quando os alunos já estão
com o olhar mais voltado para o mercado de trabalho.
É assim na faculdade de química da USP (Universidade de São Paulo), segundo a
professora Elfriede Bacchi, presidente da comissão de graduação da faculdade.
"Quase todos os alunos do diurno pedem para mudar o horário das disciplinas para
a noite. Eles alegam que os alunos do noturno saem mais bem preparados para o
campo de trabalho", diz Bacchi.
Para a professora, é impensável não praticar os conteúdos aprendidos durante os
anos do curso. "Não existe a possibilidade de um aluno sair sem experiência da
faculdade. Às vezes, eles até trancam a matrícula durante um semestre para fazer
estágio", diz.
Thiago Guimarães, 22, e Flávio Borges, 20, estão entre os 4.113 alunos da UnB
(Universidade de Brasília) matriculados em cursos noturnos. Os dois estão no
segundo ano da faculdade de administração e preferiram estudar à noite para
reservar tempo para o trabalho.
Eles dizem que também existem outros motivos, como nota de corte do vestibular
um pouco mais baixa e oferta de habilitações diferentes nos dois períodos. "O
pessoal da manhã fica mais tempo na UnB e dificilmente trabalha", conta Thiago,
que trabalhava no início do curso, mas acabou largando o emprego para se
concentrar nos estudos. "Para mim, o trabalho prejudicou um pouco os estudos,
mas tem gente que consegue levar os dois bem."
Se o dia é reservado para a prática do que é aprendido à noite, realmente pode
faltar tempo para o estudo. O jeito é aproveitar ao máximo as aulas. "Como você
não tem muito tempo para estudar, acaba prestando mais atenção à aula. É o jeito
que tem para pegar a matéria", diz Flávio.
A maior participação na aula dos cursos noturnos é mais um ponto positivo
apontado por quem está na outra ponta da sala de aula.
"Os professores dizem que o aluno compensa o menor tempo de estudo como a maior
participação na sala de aula, que o aluno aprende a racionalizar o tempo", conta
a vice-reitora acadêmica da PUC (Pontifícia Universidade Católica) de São Paulo,
Bader Sawaia.
Muitas vezes, mesmo participando mais das aulas, os alunos do noturno não
conseguem participar de atividades complementares, como pesquisa.
Thiago Trajano, do quarto ano de economia na PUC-SP, diz que o cansaço
atrapalha, sim, e que falta tempo para leituras mais aprofundadas.
"Além do que, meu tempo de estudo ainda compete com várias outras atividades que
tenho todos os dias."
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