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26 cursos de direito com notas baixas têm de
fechar vagas
ANGELA PINHO
, em Brasília
Por determinação do Ministério da Educação, 26 cursos particulares de direito
cortarão 6.323 vagas a partir do próximo processo seletivo. São cursos que
receberam notas baixas no exame do MEC que avalia alunos do ensino superior.
O número equivale a 44,5% das vagas oferecidas por esses cursos no último
vestibular. A redução, segundo o ministério, não afeta os alunos que já estão
matriculados.
O presidente da Anup (Associação Nacional das Universidades Particulares), Abib
Salim Cury, diz que a medida não deve ter grande impacto porque a maior parte
das vagas cortadas já estava ociosa.
O secretário de Educação Superior do MEC, Ronaldo Mota, porém, afirma que
aproximadamente 3.600 vagas cortadas estavam ocupadas.
De acordo com o último censo da educação superior, com dados de 2006, havia 228
mil vagas em cursos de direito, sendo 33,7% não-preenchidas.
O corte de vagas foi definido em um acordo entre as instituições e o MEC. O
acerto prevê ainda melhorias de infra-estrutura, ampliação de bibliotecas,
contratação de mais professores em regime integral e aumento da titulação do
corpo docente, entre outras medidas.
Daqui a um ano, as faculdades serão reavaliadas para ver se o acordo foi
cumprido.
As instituições que cortarão vagas fazem parte de um grupo de 89 que tiraram
notas 1 e 2 --em uma escala de um a cinco-- no conceito do Enade (Exame Nacional
de Desempenho de Estudantes), que avalia o conhecimento dos estudantes, e no IDD
(Indicador de Diferença de Desempenho), que mede o conhecimento agregado pelos
cursos aos estudantes.
Em setembro, o MEC, provocado pela OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), anunciou
uma supervisão nesses cursos que poderia resultar, no limite, no fechamento.
Dos 89 cursos elencados, nove foram excluídos --cinco porque são municipais,
três porque ainda não tinham formado turma e um porque havia recebido uma nota
incorreta.
Vinte e nove cursos assinaram termos de compromisso com o MEC, mas o corte de
vagas vale para 26 deles.
Outros 51 cursos ainda não fizeram acordo com o ministério --36 ainda receberão
visitas de avaliadores e outros devem assinar termos de compromisso nos próximos
dias.
De acordo com o ministro Fernando Haddad, as instituições que não aceitarem as
mudanças sugeridas estarão sujeitas a processos administrativos que podem
resultar em suspensão dos próximos vestibulares.
Segundo o secretário Ronaldo Mota, se as instituições demitirem professores ou
aumentarem o número de estudantes por sala, estarão infringindo o compromisso
com o MEC e poderão ser punidas.
Segundo o MEC, nenhum curso de direito já foi fechado por questões de qualidade
--embora eles já tenham sido avaliados nove vezes desde 1996-- e esse não é o
objetivo atual. "Evitamos qualquer tentativa, ainda que justificável do ponto de
vista do clamor popular, de sair fechando cursos", disse o secretário.
Durante o anúncio dos cortes de vagas, dirigentes de instituições particulares
se intercalaram ao microfone com os jornalistas, fizeram perguntas e reclamaram
do MEC.
Um deles disse ao microfone que a divulgação dos cursos como uma "lista negra"
fez com que a instituição perdesse um convênio para estágio.
Indenização
Três especialistas em direito do consumidor afirmaram que os alunos que se
sentirem prejudicados pelo mau desempenho de seus cursos têm direito a pedir
indenização por dano moral e material.
"Se a faculdade teve um desempenho ruim no Enade, é sinal de que o serviço foi
mal prestado", afirma o advogado Arthur Rollo, professor da Pontifícia
Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).
Para o advogado Maurício Maluf Barella, a situação pode ser analisada como uma
"quebra de direito adquirido", uma vez que as faculdades terão de aumentar as
mensalidades e demitir professores. Fernando Cílio de Souza, especialista em
direito empresarial, acredita que a melhor solução será o MEC transferir os
alunos para faculdades melhor avaliadas.
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