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Escolas pagam alunos pelo bom desempenho
Jennifer Medina
Os alunos de quarta série estavam se remexendo em
suas carteiras, e esperavam ansiosamente os prêmios. Em poucos minutos, eles
descobririam quanto dinheiro haviam ganho pelas notas que obtiveram em recentes
exames de leitura e matemática. Alguns deles receberiam perto de US$ 50 por bom
desempenho nos exames padronizados, o que representa uma pequena fortuna para
muitos dos alunos da Escola Pública 188, no Lower East Side de Manhattan.
» Veja mais fotos dos alunos premiados
Quando os prêmios foram distribuídos, Jazmin Roman estava ansiosa para comemorar
os US$ 39,72 que lhe couberam. Cochichou com a amiga, Abigail Ortega, para saber
quanto ela havia recebido. Abigail respondeu, com um sussurro quase inaudível:
"US$ 36,87". Edgar Berlanga deu um soco no ar para celebrar seu prêmio de US$
34,50.
As crianças não sabiam que sua professora, Ruth Lopez, também sairia beneficiada
financeiramente de suas realizações. Caso os alunos demonstrassem avanço
ponderável em seus resultados nos exames estaduais, cada professor da escola
receberia bonificação até US$ 3 mil.
Em todo o país, distritos escolares estão implementando a idéia de que dinheiro
pode ser usado para incentivar melhor desempenho, seja em forma de bonificações
para professores e dirigentes ou prêmios monetários e outras recompensas para os
alunos. A cidade de Nova York, que opera o maior sistema de ensino público dos
Estados Unidos, está na vanguarda dessa tendência, e mais de 200 escolas estão
testando formas diferentes de incentivo. Em mais de uma dúzia de escolas,
professores, alunos e dirigentes podem receber recompensas em dinheiro com base
nos resultados dos estudantes nos exames padronizados.
Cada uma dessas escolas se tornou um instrumento para testar se, como propõe o
prefeito Michael Bloomberg, recompensas monetária tangíveis podem reverter a
situação de uma instituição. Será que o dinheiro pode levar os alunos a tornar o
sucesso acadêmico interessante aos olhos de alunos que o desdenham? Será que os
professores pressionarão uns aos outros por melhor desempenho para que a escola
conquiste bonificações?
Até o momento, o governo de Nova York já distribuiu mais de US$ 500 mil a 5.237
alunos de 58 escolas, como recompensa por alguns dos 10 exames padronizados que
constam do calendário escolar do ano. As escolas, que podiam escolher se
participariam ou não do programa, se localizam em todas as áreas da cidade.
"Não estou dizendo que isso vá resolver qualquer problema", disse o Dr. Roland
Fryer, economista da Universidade Harvard que criou o programa de incentivo a
alunos. ¿Mas digo que vale a pena tentar. O que precisamos é tentar criar aquela
fagulha¿.
No país, distritos escolares vêm testando diversas abordagens de incentivo.
Alguns estão oferecendo vales-presente, refeições no McDonald¿s ou festas para
toda uma classe em uma pizzaria. Baltimore está planejando pagar os estudantes
problemáticos que consigam elevar seus resultados nos exames padronizados.
Os críticos desses esforços alegam que as crianças deveriam ser inspiradas a
aprender por amor ao conhecimento, e não por dinheiro, e questionam se os
prêmios servirão de fato para promover realizações. Antecipando exatamente essas
objeções, Nova York cautelosamente restringiu as verbas do programa a dinheiro
que conseguiu arrecadar em doações privadas, e não incluiu verbas públicas, o
que ajudou a evitar algumas das controvérsias surgidas quanto ao programa de
Baltimore, que utiliza dinheiro público.
Alguns dirigentes escolares adeririam sem hesitar aos programas de recompensa.
Virginia Connelly, diretora da Junior High School 123, no distrito de Soundview,
Bronx, vem testando sistemas de incentivo há anos, como prêmios por bom
comportamento, assiduidade, e boas notas. Os prêmios, distribuídos em uma moeda
de fantasia criada pela escola, podem ser usados para a compra de produtos na
loja que o colégio opera. ¿Nós estamos competindo com as ruas¿, diz Connelly.
"Os alunos podem sair à rua e ganhar US$ 50 por dia, ilegalmente, sempre que
quiserem. É preciso fazer alguma coisa para competir contra isso".
Já Barbara Slatin, a diretora da escola 188, diz que inicialmente era cética com
relação a pagar os alunos pelo bom desempenho. Os estudantes, muitos dos quais
vivem nos conjuntos de habitação para moradores de baixa renda localizados ao
longo da Avenida D, no bairro, certamente saberiam como usar o dinheiro, mas sua
preocupação era enviar a mensagem errada a eles. "Não queria vincular o conceito
de sucesso acadêmico ao dinheiro", disse.
Mas, depois de uma apresentação de Fryer, ela se deixou convencer. "Nós sempre
dizemos que faremos o que for preciso, e se é isso que precisamos, eu
participarei", disse. Em 1996, a escola 188 foi considerada como ineficiente
pelo Departamento Estadual da Educação, mas o desempenho da instituição vem
melhorando dramaticamente ao longo dos últimos 10 anos. No final do ano passado,
ela recebeu nota A no boletim das escolas da cidade. Mas menos de 60% dos alunos
foram aprovados no exame padronizado de matemática, em 2007, e menos de 40%
deles foram aprovados no exame padronizado de leitura.
Cerca de 90% das 200 escolas convidadas a optar ou não pela adesão ao programa
aderiram, por decisão dos corpos docentes. Os professores veteranos dizem que o
programa é bom, mas que não pensam muito a respeito. Os mais jovens parecem mais
positivos, afirmando que a bonificação é uma rara chance de obter recompensas
adicionais. Slatin e seus professores demorarão meses a saber se receberão uma
bonificação, mas os resultados iniciais dos exames parecem promissores.
"Queremos acreditar no sucesso, mas isso me deixa ansiosa", afirma Slatin. "Não
estamos acostumados a ver resultados de exames tão bons".
ME
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