|
|
|
|
Seade vê baixa escolaridade e SP muda viés de
capacitação
FERNANDO CANZIAN
Entre os paulistas com mais de 15 anos, 42% não têm o ensino fundamental
completo. O percentual sobe para 54% entre as pessoas entre 45 e 49 anos e é de
40% entre os que têm de 30 a 44 anos, faixas que concentram os trabalhadores.
No Estado mais rico do país, 50% dos empregados com carteira assinada têm hoje
idades entre 30 e 49 anos. Além de serem pouco escolarizados, eles se concentram
na faixa que mais sofre com as mudanças no mercado de trabalho.
Por causa da redução da taxa de fertilidade no Estado (hoje em um patamar
considerado de "reposição", de 2,1 filhos por mulher), a economia paulista
ficará cada vez mais dependente dessa mão-de-obra com idade um pouco mais
avançada.
Basicamente, hoje os trabalhadores dessa faixa saem em massa do setor
agropecuário, onde a escolaridade exigida é mínima, para tentar vagas em
profissões que demandam --cada vez mais-- ao menos saber ler e escrever e fazer
as quatro operações matemáticas.
Esse diagnóstico sobre o mercado de trabalho paulista e suas mais recentes
mudanças foi apresentado ontem pela Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise
de Dados) e realizado por encomenda da Sert (Secretaria do Emprego e Relações do
Trabalho).
Participaram ativamente do trabalho, inclusive confirmando as tendências
encontradas na pesquisa, 625 municípios do Estado.
As conclusões devem orientar uma alteração importante no atual sistema de
treinamento de mão-de-obra no Estado. Do total de 200 horas hoje destinadas à
capacitação de pessoal para profissões onde a demanda é crescente, 120 horas
serão destinadas exclusivamente à reeducação básica.
Na apresentação dos resultados, a diretora-executiva da Fundação Seade, Felícia
Reicher Madeira, afirmou que faltavam diagnósticos mais precisos para orientar
as políticas no setor.
"Entre 2005 e 2007, foram oferecidos cerca de 10 mil cursos gratuitos pelas
administrações municipais no Estado de São Paulo, totalizando mais de 800 mil
vagas. A despeito de tais esforços, permanece um mistério o impacto desses
cursos na trajetória ocupacional dos participantes", disse.
Sobe-e-desce
Entre homens e mulheres em todo o Estado, os setores de pior desempenho em
termos de criação de vagas em 2007 foram, entre outros, o da cana-de-açúcar e de
cultivo de árvores frutíferas, seguidos pelo agropecuário em geral.
Na contramão, as vagas formais aumentaram mais rapidamente na construção civil e
no setor de serviços como um todo, área cada vez mais exigente em termos de
escolaridade.
Em termos absolutos, o setor de serviços já representa mais de 66% do PIB
(Produto Interno Bruto) do Estado. A fatia da indústria é de 31,7% e a da
agropecuária está restrita hoje a menos de 2% do total.
Em termos geográficos, apenas 38 municípios do Estado concentram 75% do PIB
paulista, o que pode permitir um direcionamento mais efetivo para essas regiões
das novas políticas para a capacitação de mão-de-obra no Estado.
Reeducação
Segundo o titular da Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho, Guilherme
Afif Domingos, o Estado de São Paulo pretende aplicar a nova sistemática
envolvendo mais "banco escolar" entre 30 mil pessoas em 2008. O número subiria
para 60 mil em 2009 e atingiria 90 mil até 2010.
A reeducação deve ocorrer em parcerias com o Centro Paula Souza, o Centro
Federal de Educação Tecnológica de São Paulo e os integrantes do chamado sistema
"S" (Sesc, Senai e Sesi, entre outros).
A idéia é que essas entidades forneçam os professores. Em alguns casos, as salas
de aula serão tomadas de empréstimo de universidades privadas em horários de
ociosidade.
|
|
|
|