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Estudantes da UnB realizam assembléia amanhã;
ocupação da reitoria continua
Um grupo de cerca de 150 alunos da UnB (Universidade de Brasília) mantém a
ocupação do prédio da reitoria da instituição, iniciada na quinta-feira passada
(03). Os estudantes vão decidir em assembléia, marcada para as 12h desta
quarta-feira (09), se mantém ou não a ocupação do prédio.
Até lá, o grupo irá avaliar a proposta feira hoje pelo reitor da UnB, Timothy
Mulholland, para suspender a ocupação. Entre as propostas de Mulholland estão a
ampliação da universidade, aumento do número de professores, reforma da Casa do
Estudante, construção de prédios da UnB em duas cidades-satélites, revisão da
relação das fundações com UnB, reexame da escolha do reitor e aumento de vaga
para bolsistas.
Mas os coordenadores do movimento de alunos da UnB sinaliza que não há
disposição de encerrar a ocupação. "O movimento acaba no mesmo dia que o reitor
deixar o cargo", disse Tony Bezerra, aluno do curso de Relações Internacionais e
integrante da da comissão de negociação do movimento de estudantes da UnB.
Mulholland, entretanto, descartou renunciar ao cargo. "Eu entrei na forma da lei
e sairei na forma da lei." Ele também descarta se licenciar --como foi proposto
ontem pelo senador Cristovam Buarque (PDT-DF). "Não existe essa figura na lei."
O reitor negou que sua permanência no cargo represente um apego à função. "Não
tenho apego ao cargo. Não é questão de apego. É questão de cumprir."
A UnB divulgou nota hoje informando que a ocupação do prédio da reitoria está
prejudicando alguns serviços da instituição. Carla Gamba, uma das coordenadoras
do DCE (Diretório Central dos Estudantes), disse esses serviços já estavam
prejudicados antes da ocupação.
"O que a gente percebe é que querem culpar o movimento de todos os prejuízos que
acontecem na universidade", afirmou ela.
A professora Patrícia Pinheiro, do curso de Serviço Social, deu apoio hoje aos
alunos. "Espero que esta resistência continue. Dou toda força a vocês. Já é um
movimento bem-sucedido", disse.
Reforma do apartamento funcional
No começo do mês passado, Mulholland foi à CPI das ONGs no Senado prestar
depoimento. De acordo com as investigações, a Finatec (Fundação de
Empreendimentos Científicos e Tecnológicos) utilizou R$ 470 mil na compra de
móveis de luxo para o apartamento do reitor, além da aquisição de lixeiras, de
equipamentos de TV e som, de telas artísticas e vasos com plantas diversas, além
de utensílios domésticos.
O reitor negou para a CPI que o gasto com a decoração de seu apartamento tenha
sido irregular. "A preparação do imóvel não se deu em prejuízo em qualquer outro
programa, muito menos de pesquisa da universidade", afirmou na ocasião.
Hoje, ele afirmou que não participou da reunião que aprovou a reforma do
apartamento funcional da reitoria.
Mulholland também é acusado de ter usado dinheiro da Funsaúde (fundação ligada à
universidade de Brasília) para comprar passagem aérea para a mulher dele
--funcionária da UnB cedida para a Câmara-- para uma viagem ao Piauí. A fundação
afirmou ter ocorrido um equívoco na compra da passagem aérea.
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