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USP aumenta bônus para estudantes de escolas
públicas
FÁBIO TAKAHASHI
Sem atingir a expectativa inicial de aumento na aprovação de estudantes de
escola pública em seu vestibular, a USP decidiu ampliar seu programa de
bonificação a alunos dessa rede no próximo exame.
Com a mudança, os estudantes do sistema público poderão ter acréscimo de até 12%
em cada uma das duas fases do vestibular. Hoje, a bonificação é de 3%, também
nas duas fases.
Lançado há dois anos, o programa da universidade, chamado de Inclusp, visa
aumentar a presença dos estudantes das escolas públicas na instituição. Eles
representam 85% das matrículas no Estado, mas são perto de 25% dos aprovados no
vestibular da universidade.
Para se chegar aos 12% de bônus, haverá três tipos de benefício. O primeiro são
os 3% já anunciados, que serão mantidos. O segundo será por meio de uma prova
específica para a rede pública, a ser aplicada até outubro (inicialmente, apenas
ao 3º ano do ensino médio).
Esse exame, chamado de avaliação seriada, poderá render outros 3% para o aluno,
caso ele acerte todo o exame -a bonificação será proporcional ao desempenho. A
prova será desenvolvida pela USP e custeada pela Secretaria da Educação.
A intenção é que o exame cubra apenas o conteúdo dos parâmetros curriculares
nacionais. O vestibular da Fuvest chega a exigir conhecimentos além desses
parâmetros, sob a argumentação de que é necessário selecionar os melhores entre
uma concorrência muito grande pelas vagas.
Outro tipo de bonificação virá por meio da nota no Enem (Exame Nacional do
Ensino Médio). A nota na prova do governo federal poderá render um acréscimo de
até 6% no vestibular -a bonificação também será proporcional ao rendimento do
estudante na prova.
Percentual
Segundo a universidade, 26,3% dos aprovados no vestibular para ingresso neste
ano estudaram em escola pública. Antes do bônus, eram 24,7%. No lançamento do
Inclusp, a reitora Suely Vilela anunciou que a projeção era que a proporção de
estudantes da rede pública aprovados chegasse a 30% -o que ainda não ocorreu.
Pela simulação da USP, caso não houvesse a bonificação, o percentual teria
diminuído no período, pois têm caído as inscrições desses estudantes no
vestibular (fato motivado, segundo a USP, pela maior oferta de vagas em
instituições públicas e pelo ProUni).
"Os dados mostram a importância do programa. Aliado ao bom desempenho dos
estudantes beneficiados nos cursos, sentimos segurança em ampliar a
bonificação", disse a pró-reitora de graduação da USP, Selma Garrido Pimenta.
"A queda nas inscrições prejudicou. Desta vez, preferimos não divulgar uma meta.
Mas temos certeza de que a proporção de aprovados vai aumentar. A avaliação
seriada deverá aproximar a USP da escola pública", afirmou Pimenta.
"Os resultados, até o momento, são insuficientes. Praticamente não houve
inclusão", disse a promotora Érika Pucci da Costa Leal, do grupo de inclusão
social do Ministério Público Estadual, que investiga a eficácia do programa da
USP. Leal afirma que ainda não teve acesso às mudanças anunciadas pela
universidade.
O coordenador-executivo do vestibular da Unicamp, Leandro Tessler, afirma que as
alterações deverão surtir efeito positivo. "Com mais incentivo, a tendência é
que mais estudantes da escola pública prestem o exame, o que deve ter impacto no
resultado final."
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