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Amazonas lança política de ensino superior para índios


, em Manaus

O governo do Amazonas anunciou nesta quinta-feira (17) a implantação da política universitária para as populações indígenas, por meio da qual o governo amazonense pretende garantir aos índios a inclusão no ensino superior.

Executada pela UEA (Universidade do Estado do Amazonas), a medida visa a preparar os indígenas para atuar em escolas e outras instituições de nível superior, aliando suas tradições culturais à formação técnica.

Segundo o governador Eduardo Braga, não haverá necessidade de novos investimentos para implementar a nova política pública.

De acordo com ele, os recursos e a infra-estrutura da UEA permitem a qualificação dos indígenas nos cursos de graduação, pós-graduação e mestrado.

"Queremos garantir que os povos indígenas tenham acesso ao ensino superior por meio de uma alternativa pensada em termos de política pública específica para eles. Contudo, os resultados não poderão ser colhidos de imediato, mas sim ao longo desse período de estudos que se inicia para os indígenas", afirmou.

Regionalista

Com o projeto, o Estado pretende desenvolver propostas como de formação de professores indígenas, capacitação de corpo docente para atuar na UEA, ensino de disciplinas orientadas para o desenvolvimento sustentável --como a piscicultura e o manejo ambiental--, produção de material didático intercultural e inclusão digital dos indígenas por meio das cybermalocas (espaços que possibilitarão o uso de computadores e o acesso à internet).

A assinatura da portaria que instituiu a nova politica universitária do Amazonas reuniu representantes de várias tribos indígenas, como Bernadino Tikuna. Segundo ele, os cerca de 80 membros de sua etnia que vivem há 12 anos em uma comunidade na zona leste de Manaus têm vontade de estudar.

"Nossos filhos não têm como ir além do ensino fundamental e médio. A gente quer dar a eles essa oportunidade, mas precisamos de ajuda para isso. Se o governo nos ajudar a estudar e a resgatar nossa cultura, jamais perderemos nossas tradições e costumes. É por isso que temos que ter os professores indígenas. Nossos filhos vão levar tudo isso adiante", disse o Tikuna.

Para a reitora da UEA, Marilene Corrêa, o lançamento dessa política representa uma verdadeira "tomada de consciência" do poder público e das instituições educacionais diante da necessidade de oferecer aos indígenas o acesso aos cursos de graduação, pós-graduação e mestrado.

"É adequado que os povos indígenas tenham tratamento diferenciado do estado brasileiro. Esse fato é inadiável", disse.

Para ela, "muitos indígenas estão sofrendo um processos de transição e adaptação de suas identidades étnicas e nacionais. Creio que essa política universitária vai nos ajudar a enfrentar essas diferenças".



 

 

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