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Presidente do STF recebe carta que pede o fim das
cotas raciais
Colaboração para a Folha Online
Sindicalistas, empresários e ativistas de movimentos sociais entregaram
quarta-feira (30) ao presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro
Gilmar Mendes, uma carta pedindo o fim das cotas raciais em universidades
públicas. O documento pede que as ações diretas de inconstitucionalidade movidas
contra as cotas do ProUni (Programa Universidade para Todos) e de universidades
estaduais do Rio sejam aprovadas pelo Supremo.
"O principal argumento, que está expresso nessa carta que estamos entregando ao
presidente do STF, é exatamente a crença de que raça não existe e que, portanto,
esse é um critério que não deve estar presente na formulação de políticas
públicas, porque vai dividir o Brasil artificialmente entre brancos e negros",
afirma Yvonne Maggie, professora titular de Antropologia da UFRJ (Universidade
Federal do Rio de Janeiro).
A professora explica que o grupo propõe ações afirmativas junto às comunidades
mais pobres, em lugar das políticas baseadas em cor. "Nossa proposta, que está
escrita nessa carta, é que se faça ações afirmativas, por exemplo, em bairros
pobres, financiando escolas públicas de melhor qualidade justamente onde moram
essas pessoas."
Leão Alves, presidente do Movimento Pardo-Mestiço Brasileiro, destaca que na
Amazônia já são observados conflitos entre mestiços e caboclos contra negros. De
acordo com ele, na região, a maior parte dos caboclos ou pardos não são de
origem africana, mas têm sido levados a se classificar como negros.
"Esse sistema de cotas raciais está obrigando, na Amazônia, os caboclos a se
identificarem como negros, ou seja, é uma forma de 'etnocídio'. Estão matando a
identidade do mestiço da Amazônia, o principal tipo de mestiço, que é o
caboclo", afirma.
De acordo com dados trazidos na carta, estudos de marcadores de DNA permitem
concluir que, em 2000, entre os 76,4 milhões de brasileiros que se declaravam
pardos ou pretos, 20% não eram descendentes de africanos.
Francisco Johny Silva, coordenador do Forafro (Fórum Afro da Amazônia), defende
que, em vez de adotar medidas afirmativas no ensino superior, o governo invista
em educação básica e média. "Nós sabemos que a maioria dos negros não termina o
ensino médio sequer", diz. "Os negros podem chegar às universidades federais e
concorrer às vagas sem a ajuda de cotas raciais", disse.
Ele também afirma que a questão da política de cotas se tornou uma questão
política, pois há "movimentos negros acorrentados a partidos políticos", Segundo
ele, os movimentos ligados a partidos são os que apóiam as cotas raciais e não
respeitam opiniões contrárias.
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