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Atos retomam discussão sobre cotas para negros
A questão das cotas para negros em universidades ganhou fôlego nos últimos dias
em razão de manifestações de grupos favoráveis e contrários à política.
As ações se concentram na Câmara dos Deputados, onde tramita projeto de lei que
institui a política de cotas, e no STF (Supremo Tribunal Federal), que vai
julgar duas ações diretas de inconstitucionalidade sobre o tema.
Hoje, defensores das cotas vão à Câmara pedir a aprovação do projeto --sem ele,
são as universidades que decidem se adotam ou não o sistema, o que dá margem a
contestações judiciais.
À tarde, eles entregam um manifesto com mais de 400 assinaturas ao presidente do
STF, ministro Gilmar Mendes, em que pedem a rejeição das ações contra as cotas.
Entre os signatários estão o arquiteto Oscar Niemeyer e o ator Lázaro Ramos.
As ações contestam as cotas no ProUni (Programa Universidade para Todos) e em
vestibulares de universidades estaduais do Rio de Janeiro.
O julgamento começou no dia 2 de abril, mas foi interrompido por um pedido de
vista do ministro Joaquim Barbosa. O voto do relator, Carlos Ayres Britto, foi a
favor das cotas.
Contrários
No dia 30, um grupo de oito pessoas entregou ao presidente do STF um documento
contra as cotas.
Intitulado "Cento e treze cidadãos anti-racistas contra as leis raciais", o
documento tem entre os signatários Caetano Veloso e ex-primeira-dama Ruth
Cardoso.
O texto diz que a política de cotas, defendida pelo Ministério da Educação, cria
uma falsa divisão entre negros e brancos.
Para os favoráveis às cotas, a reserva de vagas segue o princípio constitucional
que coloca entre os objetivos fundamentais do Brasil "erradicar a pobreza e a
marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais".
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