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Protesto pela saúde termina em confusão no Rio



Colaboração para a Folha Online


Terminou em confusão uma manifestação em que cerca de 500 pessoas, entre alunos, médicos residentes, profissionais de saúde e pacientes protestavam, na manhã desta sexta-feira, contra a falta de recursos no Hospital Clementino Fraga Filho, da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). Policiais do Batalhão de Choque da PM (Polícia Militar) lançaram bombas de gás lacrimogêneo contra os manifestantes.

A estudante do curso de medicina Larissa Silva ficou ferida e reclamou da atuação dos policiais. "A gente viu quando eles estavam vindo na nossa direção, mas não podíamos imaginar que usariam bombas de efeito moral. Eles jogaram na nossa direção, pegou na minha cabeça, no meu braço, na minha perna, queimando. Uma fumaça branca que arde muito."

O professor Roberto José de Lima, da Faculdade de Medicina, que também participou do protesto, classificou de "vandalismo" a resposta da polícia. "O ato feito aqui foi covarde. Estamos aqui defendendo organizadamente a educação, a juventude, uma universidade democrática, e não para sermos submetidos a esse ato de vandalismo", reclamou.

Com o lançamento das bombas, houve pequena dispersão dos manifestantes, que em seguida voltaram a ocupar as faixas --alguns permanecendo sentados na pista. A via foi totalmente desobstruída depois de 35 minutos.

A PM informou, por meio de sua assessoria, que "manteve a ordem no local" e liberou a via para o tráfego o mais rápido possível. De acordo com a polícia, a Linha Vermelha não pode ser impedida.

Questionado sobre a necessidade de uso de bombas de efeito moral, o comandante do Batalhão de Choque, tenente-coronel Carlos Eduardo Milagres, disse que não acompanhou a movimentação desde o início e que, portanto, precisava apurar o que havia acontecido. "Não posso responder pelo que aconteceu antes. Preciso primeiro verificar o que aconteceu."

Segundo o chefe do serviço de anestesia, Leonel Pereira, o hospital vive uma "crise de abastecimento absoluta". De acordo com ele, faltam desde materiais simples, como papel higiênico e álcool, até insumos de mais alta complexidade, como transdutores de pressão. "Para onde você apontar vai faltar alguma coisa", enfatizou.

O diretor da unidade, também conhecida como Hospital do Fundão, Alexandre Pinto Cardoso, informou que o déficit mensal é de R$ 600 mil. "E isso vem se acumulando porque os custos do hospital aumentam muito mais do que o volume dos recursos que recebemos."

Cardoso defendeu a abertura emergencial de concursos para suprir a falta de profissionais. Ele disse que, atualmente, R$ 1,3 milhão que fazem parte da verba de custeio da unidade são mensalmente usados no pagamento de profissionais terceirizados.

Alunos e profissionais das unidades de saúde da Uerj (Universidade Estadual do Rio de Janeiro) e Unirio (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro) fizeram uma caminhada na manhã de hoje pelas ruas do bairro do Maracanã, na zona norte do Rio, também para protestar contra a situação dos hospitais ligados às unidades.

O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, que foi aluno do Hospital do Fundão, reconheceu as dificuldades financeiras enfrentadas pelos hospitais universitários, mas ressaltou que a pasta repassa anualmente recursos "significativos", totalizando R$ 1,5 bilhão, às 47 unidades, ligadas ao Ministério da Educação.

"Isso se resolve com mais recursos, mas também com mais eficiência de gestão", disse hoje (30) ao participar de um evento na sede da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), no Rio.

A assessoria de imprensa do Ministério da Educação informou que não existe previsão de novas contratações, nem de aumento no repasse de recursos para os hospitais universitários.

 

 

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