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Com metas, professor poderá ganhar 2,9 salários;
faltas diminuirão bônus
A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo divulgou nesta sexta-feira os
critérios para remuneração por desempenho para os profissionais da área
educacional. Professores, diretores, supervisores, entre outros funcionários,
poderão receber até 2,9 salários mensais, de acordo com a melhora no aprendizado
dos alunos.
As escolas terão de atingir metas preestabelecidas anualmente. A avaliação é
feita com base no Idep (Índice de Desenvolvimento da Educação de São Paulo),
lançado em maio.
Se os objetivos forem totalmente atingidos, os funcionários da escola receberão
o bônus integral: 20% dos 12 salários mensais, o que corresponde a 2,4 salários
a mais. A bonificação será sempre equivalente ao percentual da meta atingida.
Caso a instituição de ensino atinja 50% da meta, por exemplo, o bônus será
equivalente a 1,2 salário.
Em caso de superação das metas, segundo a secretaria, os funcionários também
receberão gratificação extra equivalente ao percentual atingido, até o teto de
20%. Com isso, a bonificação pode chegar a 2,9 salários a mais.
As faltas serão levadas em conta para o pagamento do bônus, e o percentual delas
será descontado na mesma proporção. Ou seja, quem tiver 20% de faltas terá
desconto de 20% do remuneração extra a que terá direito.
O governo do Estado calcula o gasto com a nova política de remuneração por
desempenho estima em pelo menos R$ 500 milhões anuais. A avaliação já vale para
este ano e o bônus será pago no início do próximo ano, em duas parcelas.
Crítica
A presidente da Apeoesp (sindicato dos professores da rede estadual de SP),
Maria Izabel Azevedo Noronha, afirmou que "não vê com bons olhos" o sistema
adotado pelo governo, pois não mexe em questões fundamentais para a melhoria da
qualidade de ensino na educação pública.
"A Secretaria [da Educação] mais uma vez empurra a responsabilidade para os
professores, como se fosse possível medir a qualidade da educação com
percentagem", afirmou.
Segundo a presidente, a fórmula adotada pelo governo no sistema de remuneração
por desempenho é "meritocrático" e vai incentivar ainda mais a aprovação em
massa de alunos, sem melhorar a qualidade do aprendizado.
Na opinião de Maria Izabel, é contraditório falar em melhorar o desempenho dos
alunos sem investir na melhoria das condições didático-pedagógicas nas escolas,
como salas de aula com número menor estudantes, carga horária que contemple
tempo para preparação de aulas e política salarial "com remuneração justa". "O
que fizeram não é novo, é uma reedição do que já existe", disse.
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