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Fazer lição de casa pode se tornar agradável
Fim de férias,
novo semestre, é hora de retomar a rotina escolar. Mas, à simples menção das
palavras 'lição de casa', a cara fecha, os braços se cruzam, e começa a birra.
Essa é uma cena comum: para muitas crianças - e muitos pais também - a hora da
lição é um tormento.
Pode até ser comum, mas não é o normal. Se a criança tem aversão à lição de
casa, e fazê-la cumprir as obrigações escolares é tarefa penosa para os pais,
alguma coisa certamente está errada, seja na rotina da criança ou mesmo nos
métodos adotados pela professora em sala de aula. "Apesar de obrigatório, fazer
a lição de casa deve ser um momento agradável", afirma a psicopedagoga Ana
Cássia Maturano.
Através das atividades em casa, os pequenos podem, além de fixar o conteúdo
aprendido em sala de aula, desenvolver noções de responsabilidade e organização.
Por isso, antes de qualquer coisa, é necessário que os pais estabeleçam junto
aos filhos uma rotina que dedique tempo tanto para o lazer quanto para as
obrigações escolares.
"Estipular um horário para as lições é essencial", expõe a psicóloga Maria
Rocha, diretora pedagógica de uma escola de educação infantil. "Para isso, é
preciso estar atento ao ritmo da criança. Se ela estuda de manhã, o melhor
horário para as lições é durante a tarde, depois de algum tempo de descanso".
Vale ressaltar ainda que a obrigação deve preceder a diversão. Além de funcionar
como uma espécie de 'prêmio', a missão de tirar a criança de uma atividade
prazerosa para fazer o dever é difícil e pode causar atritos desnecessários.
A opinião da criança sobre qual seria o melhor horário é importante, porque,
segundo Ana Cássia, "quando ela participa das decisões, fica mais fácil, diante
do não cumprimento, os pais cobrarem. O comprometimento é maior e não poderão
dizer que são os pais que querem assim".
Uma vez estabelecido o horário, a criança deverá cumpri-lo obrigatoriamente.
Neste momento, cabe aos pais apenas a supervisão. Em caso de dúvidas, podem
ajudar através de 'dicas', mas nunca fazer a lição no lugar da criança. "Os pais
que se informam sobre o conteúdo dado em sala de aula podem aplicá-lo ao
cotidiano da criança para ajudar na fixação", sugere Maria. "Mas não devem,
nunca, encobrir o pequeno: se a tarefa não foi feita, não podem incentivá-lo a
inventar desculpas para a professora, por exemplo."
Entretanto, Maria alerta, se a criança tem apresentado muitas dificuldades no
momento do dever de casa, os pais precisam voltar suas atenções para os métodos
da escola. "A aprendizagem é função da escola. Se os pais precisam ensinar à
criança tudo o que ela supostamente aprendeu em sala de aula, há alguma coisa
errada".
As lições devem estar de acordo com o grau de compreensão da criança e, uma vez
que "a carga horária na escola é pesada, não deve ser estendida em demasia
dentro de casa", afirma Ana Cássia. "De todo modo, estudar é uma obrigação da
criança e um hábito a ser desenvolvido". Inicialmente, é recomendável que ela
dedique de 10 a 15 minutos para a realização do dever, segundo Maria Rocha.
O recomendável às escolas é que a quantidade de deveres aumente gradativamente
conforme a idade. Um bom modelo é o apresentado pela escola Escola de Educação
Infantil Ápice, em São Paulo: aos quatro anos, é dada uma lição de casa por
semana, baseada em pesquisas. Aos cinco, a criança tem lições duas vezes por
semana, já com conteúdo de matemática, português etc. A partir dos seis anos,
esse número aumenta para quatro. "O importante é que a criança desenvolva uma
relação positiva com a lição de casa e até goste de fazê-la", finaliza Maria que
trabalha na escola.
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