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UFABC vai reservar vagas para quem for bem no Enem


LUISA ALCANTARA E SILVA


Neste ano, o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) chega à sua décima edição. Desde que foi criado, instituições de ensino superior passaram a adotá-lo como forma de elevar a nota dos candidatos em seus vestibulares. Atualmente, há pelo menos 56 universidades estaduais e federais que utilizam o resultado do exame.

Mas, pela primeira vez, uma instituição pública adotará o Enem como critério exclusivo de aprovação. A universidade que inaugurará esse sistema no ensino superior público é a UFABC (Universidade Federal do ABC), na Grande São Paulo, que reservará 500 vagas, ou um terço do total de 1.500, para quem tiver acertado no mínimo 90% da prova do Enem.

Segundo Ronei Miotto, coordenador do comitê de processos seletivos da UFABC, o sistema foi adotado "porque o Enem mede um conjunto de habilidades que estão em consonância com o projeto pedagógico da nossa instituição".

Como o sistema pelo Enem não garante a vaga na instituição -se mais de 500 candidatos quiserem entrar com a nota do exame, será feita uma seleção-, o candidato poderá se inscrever nos dois processos -no que considera apenas o Enem e no outro, que soma a nota do Enem com a da prova da própria instituição. A inscrição ocorre até 19 de setembro.

Já a FGV (Fundação Getulio Vargas) vai no caminho contrário: não vai mais aceitar a nota do Enem no resultado. Até ontem, o Fovest tentou contato com o responsável pelo vestibular da FGV, mas a assessoria de imprensa informou que ele estava em viagem e não poderia comentar a mudança.

Outra instituição que mudará a forma como utiliza o Enem será a PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica). A partir do próximo vestibular, cujas inscrições começam no dia 13 de outubro, só será aceita a última edição do Enem -ou seja, a deste ano-, e não mais a dos dois últimos anos.

"Isso vai nivelar os candidatos", diz Ana Zilocchi, coordenadora-geral do vestibular unificado da PUC-SP. "Se o Enem de um ano é mais difícil que o do ano seguinte, poderíamos favorecer o candidato que fez a prova mais fácil."

A prova

O Enem é composto por 63 questões e uma redação -cada parte vale 100. Os testes são relativos a 21 habilidades, tais como: saber analisar um gráfico cartesiano e conseguir contextualizar um texto literário clássico dado no exame.

Quem vai fazer o exame não deve esperar surpresas, segundo Dorivan Ferreira Gomes, coordenador nacional do Enem. "A prova não vai ter nenhum tipo de pegadinha", afirma. "Não haverá mudanças. Se você sabe ler e interpretar, você consegue resolver", diz ele.

É o que espera Raul Saddi Mahfuz, 18, que vai prestar USP, PUC e Mackenzie. Ele participou, no último sábado, de um simulado em seu colégio. Dos 63 pontos, fez 53. "Fui bem. Acho que, com o que aprendi no ensino médio, estou preparado", afirma.

 

 

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