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Ensino ruim assombra terra da fruticultura no Rio
Grande do Norte
EDUARDO SCOLESE
enviado especial da Folha a Baraúna (RN)
O motorista que chega a Baraúna (RN) é saudado com placas de boas-vindas à
"terra da fruticultura" e à "terra do calcário". Em 2008, a cidade agregou outro
epíteto, este nada meritório: tornou-se também a terra do mais baixo Ideb
(Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) de oitava série.
Baraúna fica no extremo oeste do Rio Grande do Norte, na divisa com o Ceará, a
303 km de Natal. De pronto, o Ideb baixo virou o foco das campanhas.
De um lado, jogando na defesa, o prefeito e candidato à reeleição, Aldivon
Nascimento (PR), que criou um comitê gestor para apresentar soluções para o
problema. "O Ideb tem sido o principal discurso da oposição, mas esse resultado
é fruto de uma política de tempos atrás." De outro, no ataque e com os
resultados do Ideb 2007 debaixo do braço, os adversários. A oposição fez
relatórios com base na avaliação, que têm sido usados na campanha.
Nos últimos cinco anos, dois prefeitos da cidade foram cassados, e um deles foi
condenado a devolver R$ 2,4 milhões aos cofres públicos por irregularidades no
uso de recursos para a educação.
Baraúna enfrenta problemas de evasão escolar e de falta de vagas e de estrutura
nos colégios. Neste período pré-eleitoral, como é comum nos segundos semestres
da cidade, os adolescentes da "terra da fruticultura" exageram nas faltas ou
deixam de vez a escola para ajudarem os pais nas plantações de melão e melancia.
Mas o principal entrave à educação local, segundo prefeito, oposição e
moradores, são as estradas precárias que ligam as comunidades rurais ao centro
da cidade, onde estão os dois únicos colégios com turmas de quinta à oitava
série.
"Meus filhos já chegam na escola enfadados. Respiram a poeira dentro do ônibus e
depois sofrem com asma, bronquite", afirma Rita da Silva, 45. Seus três filhos,
Danilo, 12, Deivid, 15, e Antonia 18, enfrentam uma hora e dez minutos dentro de
um ônibus caindo aos pedaços, entre o assentamento Poço Novo e a escola. Para
Francisco Macedo, 14, o trajeto é mais complicado. Ele vive numa comunidade a 30
km da cidade. Almoça às 10h40, sobe num pau-de-arara às 11h15 e segue por cinco
quilômetros, com 12 colegas, até a sede do assentamento Poço Novo. Lá, troca os
bancos de madeira do Chevrolet modelo 1978 pelo banco estofado e quente do mesmo
ônibus dos filhos de Rita.
No trajeto, alunos, principalmente meninas, carregam toalhas para proteger o
rosto e o cabelo da poeira que entra pelas janelas. Os meninos levam uma
camiseta reserva na mochila --e substituem a empoeirada quando desembarcam.
"Eles chegam enjoados na escola, com dor de cabeça. Vão sacolejando até lá",
afirma a assentada Maria Izelda, 43.
Apesar dos atoleiros, o período de chuvas, de fevereiro a junho, é o preferido
dos que vêm da zona rural --a poeira diminui, dizem os adolescentes.
As condições precárias nas estradas jogam contra a qualidade do ensino, admite a
secretária de Educação, Núbia Oliveira. Para ela, o resultado do Ideb não
reflete a realidade do ensino local, mas serve, ao menos, para "alertar" a
todos.
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