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Mudança de escola fraca para "puxada" derruba
notas de estudantes
Preocupados com o futuro profissional e em entrar em uma boa faculdade, muitos
jovens deixam escolas consideradas mais fáceis e menos exigentes em busca de
outras mais rigorosas.
Mas a transição nem sempre é fácil. Para se adaptar à nova rotina de estudos,
com novos professores, médias mais altas, mais lição de casa e provas mais
difíceis, muitos alunos enfrentam dificuldades, vêem seu rendimento escolar
despencar e correm até o risco até de perder o ano.
É isso que está preocupando Ana Carolina de Cillos, 15. Ela mudou para uma
escola mais rígida neste ano e, por conta das notas baixas no primeiro semestre,
vai pegar recuperação em matemática, português, história, geografia e ciências.
Para dar conta dos estudos, ela largou o treino de vôlei e começou a fazer aulas
particulares das disciplinas em que está com dificuldades. "Eu queria ser
jogadora profissional, mas é difícil ser atleta. Penso no meu futuro, por isso
quero fazer um bom colegial e uma boa faculdade ", explica.
Kauane Ribas Vasconcelos, 13, também mudou para uma escola mais "puxada". "Na
escola anterior eu tinha duas lições de casa por dia, agora são quatro. Além
disso, se eu chegar atrasada, perco ponto, se fizer bagunça, também", lamenta a
estudante.
O resultado: as notas de português e de matemática caíram de seis e meio e sete,
no ano passado, para dois e dois e meio, neste ano. "Estou estudando mais, e
minhas notas estão piores", conta a garota, que substituiu as tardes em frente à
televisão e ao computador por aulas particulares.
Já Sofia Casella, 16, deixou uma escola convencional para fazer o ensino médio
em uma escola técnica. Entre as dificuldades, ela relata três novas disciplinas
técnicas e salas de aulas com mais alunos.
"É mais difícil prestar atenção na aula, porque tem mais distração e mais gente
disputando a atenção dos professores. Às vezes, chega a ter fila para tirar
dúvida", diz.
Do total de 15 matérias ela está abaixo da média em sete, incluindo disciplinas
em que sempre foi bem, como história.
Carol Sayeg, 14, está na oitava série e se mudou neste ano para uma instituição
bastante conhecida por seu ensino rígido e exigente. "Quero fazer uma boa
faculdade, reconhecida no Brasil e no mundo, e ser bem-sucedida em minha
profissão", esclarece. "Minha escola atual tem em seu histórico muitos alunos
que passaram com boas posições no vestibular."
Enquanto o futuro não chega, ela se esforça para dar conta do presente. "Minha
rotina ficou mais corrida, agora somos bem mais cobrados", afirma. Carol tem
pelo menos três lições de casa por dia, e faz todas elas para não ficar para
trás. "A lição acaba sendo boa porque obriga a estudar", explica.
Para Tatiane, 14, a transição de um colégio para o outro foi radical. "Na minha
escola antiga não tinha nem prova. Eles só olhavam se a lição de casa estava
feita e se não fazíamos farra na classe", relata. "Agora as minhas provas têm
umas 13 páginas! Para cada matéria!"
A garota mudou-se na quinta série, seguindo os passos das primas mais velhas.
"No começo fiquei com medo, mas as minhas primas já sabiam como era o esquema e
me ajudaram". Hoje, ela vê algumas vantagens na escola atual.
"É superliberal, lá os alunos podem comer onde quiserem", avalia. "A outra era
mais rigorosa: só podíamos comer em um dos pátios", diz Carol.
Felipe Alves Guia, 14, foi para uma escola mais exigente porque tanto ele quanto
seus pais consideravam o ensino do colégio anterior muito fraco. "Eles ficavam
bravos porque eu nunca tinha lição de casa e viam que eu não precisava me
esforçar para passar."
Para Felipe, a mudança de escola se refletiu diretamente em suas notas.
Acostumado a tirar sempre médias próximas de nove, o garoto, que se mudou neste
ano, passou a tirar por volta de seis e até pegou recuperação em uma matéria.
"Eu nunca tinha ficado na vida", conta o estudante, que está na oitava série.
Para adaptar-se às dificuldades da nova instituição, Felipe teve que sair da
academia de ginástica, que freqüentava diariamente, e se dedicar exclusivamente
aos estudos.
"Antes, eu só abria o caderno em véspera de prova", diz. "Agora, estudo todos os
dias e não tenho mais tempo para outras atividades".
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